The World Was a Mess But His Hair Was Perfect: The Last Indie Music Scene 2000-2010

Francisco Pereira

Janine Warren

Edição: setembro 2026

Desde que Meet Me In The Bathroom, de Lizzy Goodman, se tornou o padrão de ouro para documentar o renascimento indie de Nova Iorque, o público britânico (ou, para ser mais justo, o público da música indie) aguardava um registo à altura sobre o que aconteceu em Londres e Manchester no início do milénio. A resposta chega com The World Was a Mess But His Hair Was Perfect: The Last Indie Music Scene 2000-2010, o novo livro de Janine Warren que promete ser a crónica definitiva da última grande era das guitarras no Reino Unido.

Ao contrário de outros historiadores mais distantes, Janine Warren viveu no olho deste furacão. Como relações-públicas de algumas das bandas mais icónicas da década, como os The Libertines, Bloc Party, Franz Ferdinand e Johnny Marr, ela teve um acesso privilegiado aos bastidores, às digressões e à energia frenética que definiu aqueles anos.

O livro não se limita às memórias de Warren, e funciona antes como uma colagem de vozes vitais. Entre os colaboradores estão Conor McNicholas, antigo editor da NME, e o produtor Paul Epworth, cujas mãos moldaram o som de toda uma geração em estúdio. A obra é ainda enriquecida por um prefácio escrito por Alex Kapranos, dos Franz Ferdinand.

Kele Okereke, vocalista dos Bloc Party e um dos primeiros a ler o manuscrito, afirma que a obra o transportou de volta ao início da jornada da banda, quando o único objetivo era criar algo que movesse as pessoas física e emocionalmente.

Publicado pela Omnibus, o volume destaca-se também pelo seu cuidado estético que inclui uma coleção de fotografias inéditas de Andy Willsher, um dos fotógrafos de concertos mais celebrados daquela década.

The World Was a Mess But His Hair Was Perfect explora a magnitude de uma época em que a música parecia ser a única coisa que importava num mundo em crise. Entre anedotas sobre a turbulência dos Libertines e o rigor artístico dos Franz Ferdinand, o livro posiciona-se como uma leitura obrigatória para quem quer compreender como o indie britânico deu o seu último grande suspiro de relevância global.

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