Fruit Bats – The Landfill (2026)

Francisco Pereira

Crítica ao álbum "The Landfill" dos Fruit Bats. Eric D. Johnson explora memórias e o passar do tempo num disco de folk-rock coeso e introspectivo.

Para Eric D. Johnson, o mentor por detrás dos Fruit Bats, o processo criativo é uma questão de higiene mental. Após a crueza solitária de Baby Man (2025), o músico recorreu novamente à técnica das “páginas matinais”, um exercício de escrita de fluxo de consciência ao acordar, para esculpir o novo The Landfill. Lançado no passado dia 12, este é um disco de banda completa, gravado ao vivo em estúdio, que transforma a melancolia da meia-idade numa paisagem fértil de reflexão americana.

A metáfora central é poderosa: tal como os aterros sanitários (landfills) que pontuam as periferias das cidades do Midwest, a vida humana é um amontoado de detritos (memórias, traumas, experiências) que, se devidamente analisados, se tornam o alicerce para o futuro. Johnson, que acaba de celebrar 50 anos, usa este álbum para pesar feridas psíquicas em paralelo com as alterações físicas que infligimos no mundo. Logo no arranque, a cinematográfica “The Saddest Part of the Song” convida ao pensamento contemplativo, com um toque de soul dos anos 70 que nos puxa para um estado de introspeção hipnótica.

A sonoridade do disco é talvez a mais robusta e polida da discografia dos Fruit Bats até hoje, fruto da química imediata de gravar o grupo no mesmo espaço físico. Em “Silverfish in the Sink”, Johnson despe a produção até ao osso, para criar um retrato da solidão urbana e do vazio existencial. Já em “Think Aboutcha”, a banda envereda pelo power-pop vintage, enquanto em temas como “All Wounds” se discute a falácia do ditado que diz que “o tempo cura tudo”, com uma honestidade frontal que apenas três décadas de carreira permitem.

O ponto culminante chega com a faixa-título, “The Landfill”, um tema que lembra a grandiosidade atmosférica dos The War on Drugs. Com guitarras e um piano que se mesclam graciosamente, Johnson coloca-nos dentro de um carro, estacionado no topo de uma colina de lixo, a contemplar o que foi, o que poderia ter sido e o que ainda virá. The Landfill não é apenas um exercício de memória; é um convite para aceitar a mudança.

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