“Hot”. Em brasas foi como começou o segundo dia do NOS Alive, ao som das mexicanas The Warning. Sem aviso, incendiaram o palco com vozes muito rock e cheias de estilo. Sentiu-se o poder feminino das irmãs Daniela, Paulina e Alejandra Villarreal. Assim que terminaram a primeira música, o público reagiu entusiasticamente. Quer já as conhecessem ou não, o que é certo é que encantaram os Foo Famers e os Skunkers que estavam na multidão. Abriram com “More” e, realmente, era isso que queríamos: mais. Deram-nos ainda “Hell You Call a Dream” e “Qué Más Quieres”. Esta banda encaixou que nem uma luva neste dia de rock que o NOS Alive nos proporcionou.
* fotografias oficiais NOS Alive (de Hugo Macedo, Guilherme Cabral e Nuno Cruz) gentilmente cedidas pela organização
Skin, a intemporal vocalista dos Skunk Anansie, aos 58 anos, mostrou-nos que a energia dela não dá conta da passagem do tempo. Saltou, pulou, cantou, foi para o meio da multidão. Imparável, não parou um segundo. A brixtoniana foi dinamite. Abriram com “Hedonism”, para nos dar aquele pico de nostalgia de quem veio a correr do outro lado do recinto para sentir o que é estar, literalmente, a correr em direção ao passado, entre multidões a cantar até chegar bem à frente do palco: “Just because you feel good, doesn’t make you right…”
Em “This Means War”, a artista falou da sua tolerância zero ao racismo e dos tempos que vivemos. A mensagem foi clara: temos de lutar e nunca desistir. “When I see the evil in you, I’m gonna make you crawl… ‘Cause this means war, fuckers!”
Skin vestia uma t-shirt antinazi, com uma cruz cor-de-rosa fluorescente pintada por cima. Mesmo sem palavras, a cantora já estava a falar. Mas as palavras também não lhe faltaram. Em “Weak”, saltou do palco e entrou no meio do mar de gente, dando a mão a um fã e protagonizando um dos momentos mais marcantes da noite. A energia continuou em “Selling Jesus”, com mais uma incursão pelo público, antes de rematar com “An Artist Is an Artist”, do sétimo álbum da banda, The Painful Truth (2025). A mensagem era clara: “An artist is an artist…” e a idade nunca será um limite. “You’ll Follow Me Down” não se fez ouvir desta vez. Talvez porque, na verdade, somos nós que continuamos a segui-los.
* fotografias oficiais NOS Alive (de Hugo Macedo) gentilmente cedidas pela organização
Grande voz revelação, Picas. Do Porto para Lisboa, hey, menina linda, participou em 2020 no The Voice Portugal, onde se deu a conhecer como intérprete. Agora, no NOS Alive, encantou-nos com a apresentação do seu mais recente álbum, Vendavais. Em “Pop Star”, canta: “Fui a uma reunião para provar que merecia um lugar…”. Só por esta crítica ao patriarcado foi possível perceber imediatamente o tom do álbum. “Pop star”. Quem ainda não era fã, provavelmente passou a ser depois da atuação no Palco Coreto, no dia 10 de julho.
Abriu com “Quem Eu Quero Agora”, sorriu do início ao fim para os fãs da primeira fila, que sabiam todas as letras, e criou uma energia contagiante. Surpresa das surpresas: somos nós que agora queremos mais Picas. Ainda vai dar muito que falar.
* fotografias oficiais NOS Alive (de Nuno Cruz) gentilmente cedidas pela organização
Nove anos depois, os Foo Fighters regressaram ao Palco NOS e fizeram do segundo dia do NOS Alive uma verdadeira celebração do rock. Durante duas horas e meia, não faltaram guitarras no máximo, refrões cantados a uma só voz e um Dave Grohl imparável, a correr de uma ponta à outra do palco e a puxar pelo público do início ao fim. A meio do concerto, ainda houve tempo para uma brincadeira, quando confessou, entre risos, que talvez estivesse na altura de fazer um corte de cabelo.
O ambiente fez-se sentir muito para lá do Passeio Marítimo de Algés. As guitarras, os gritos e os cânticos dos milhares de fãs ecoaram para lá do recinto e houve até quem, em Sete Rios, garantisse ouvir as batidas dos Foo Fighters.
A espera de quase uma década valeu a pena. O alinhamento foi uma autêntica viagem pela história da banda, com temas como “All My Life”, “The Pretender”, “Times Like These”, “My Hero”, “Learn to Fly”, “Monkey Wrench”, “Best of You” e, claro, “Everlong”. Mais do que apresentar novidades, os Foo Fighters escolheram celebrar as músicas que marcaram várias gerações e que continuam a unir milhares de pessoas à frente de um palco.
Um dos momentos mais especiais da noite aconteceu durante a apresentação dos músicos. Em vez dos habituais solos, Dave Grohl decidiu recordar o percurso de cada elemento da banda antes dos Foo Fighters. Quando chegou a sua vez, explicou que queria tocar uma música que tinha escrito na altura em que fazia parte dos Nirvana. A escolha recaiu sobre “Marigold”, composta por Grohl e lançada originalmente como lado B do single “Heart-Shaped Box”, editado durante a era de In Utero. A canção tem ainda um significado especial para os fãs portugueses, já que foi interpretada na passagem dos Nirvana por Portugal, em 1993. Bastaram os primeiros acordes para o público viajar até aos anos 90 e responder com uma das maiores ovações da noite.
A nostalgia continuou a dominar o concerto. Houve ainda espaço para “Aurora”, interpretada de forma visivelmente emotiva em homenagem a Taylor Hawkins. A música, uma das preferidas do antigo baterista, transformou-se num dos momentos mais marcantes da atuação, com milhares de vozes a acompanharem a banda do princípio ao fim.
Outro dos destaques da noite foi Ilan Rubin. O baterista mostrou uma sintonia evidente com Dave Grohl e brilhou num solo que lhe valeu elogios do vocalista, confirmando porque foi a escolha para ocupar um lugar tão difícil na história da banda.
No final, ficou a certeza de que a espera compensou. Os Foo Fighters regressaram ao NOS Alive exatamente como o público se lembrava deles: intensos, enérgicos e capazes de transformar um concerto numa viagem pela memória de várias gerações. Depois de nove anos de ausência, Algés voltou a vestir-se de rock e Dave Grohl despediu-se com a promessa de regressar. Se depender dos milhares de fãs que cantaram cada palavra até “Everlong”, desta vez a espera será bem mais curta.
* fotografias oficiais NOS Alive (de Sara Hawkkk) gentilmente cedidas pela organização



































































