‘A Prodigiosa Transformação da Classe Operária em Estrangeiros’ estreia no dia 23 de julho.

Francisco Pereira

Hoje em dia, já ninguém fala em classe trabalhadora. O termo trabalhador tornou-se sinónimo de estrangeiro.

Tal como em todos os países europeus industrializados, os social-democratas e os sindicatos lideraram o movimento operário. E, embora não em simultâneo, estas instituições tinham perdido a sua influência em toda a Europa Ocidental até à década de 1980. Políticas racistas conseguiram criar uma clivagem entre trabalhadores imigrantes e trabalhadores nacionais. Este factor, juntamente com a desindustrialização no final da década de 1970, conduziu também ao declínio do movimento operário clássico na Suíça.

A Prodigiosa Transformação da Classe Operária em Estrangeiros é um documentário construído com uma mistura habilidosa de imagens de arquivo, reportagens, programas de televisão, relatos na primeira pessoa, uma ampla seleção de valiosos arquivos cinematográficos e fotográficos, e excertos de longas-metragens da época. Uma animação encantadora e simples é encarregada de narrar episódios da vida de Samir.

O que torna este filme num objeto de análise profunda é o facto de mostrar que os filhos e netos dos migrantes de outrora, tendo agora passado a fazer parte da classe média, reproduzem o mesmo comportamento racista que afetou os seus pais com os novos migrantes que, hoje, impulsionados pela fome e pelas guerras, chegam à Europa vindos de África.

Mais uma vez, os novos migrantes são explorados e relegados aos trabalhos mais humildes, não têm direitos, vivem em edifícios em ruínas e são os principais suspeitos de um roubo, um conflito, um homicídio.

O realizador Samir utiliza fotografias privadas de família, animações, excertos musicais e material de arquivo inédito para contar, de forma envolvente e divertida, a história da migração dos vizinhos do sul da Suíça, desde o pós-guerra até à atualidade.

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