Entre concertos históricos, bastidores, retratos de artistas e momentos que marcaram a cultura popular, o ciclo “Don’t Look Back” reúne seis filmes que atravessam diferentes épocas e formas de olhar para a música. De 19 a 27 de Setembro, o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian recebe filmes dedicados a Bob Dylan, The Beatles, The Band, Talking Heads, Prince e ao histórico Harlem Cultural Festival. A entrada é gratuita.
Ao longo de dois fins de semana, o cinema transforma-se num espaço para revisitar alguns dos momentos mais marcantes da música das últimas décadas. Entre o documentário e o filme-concerto, “Don’t Look Back” mostra como a imagem pode preservar não apenas actuações, mas também contextos, movimentos culturais e artistas que ajudaram a definir o seu tempo.
O programa arranca com “A Hard Day’s Night” (1964), de Richard Lester, dia 19, às 17h, uma das mais célebres incursões dos Beatles no cinema. O filme acompanha John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr durante 36 horas, no auge da Beatlemania, enquanto se preparam para um concerto televisivo e tentam escapar ao controlo do agente, aos fãs e às peripécias familiares. A sessão é apresentada por Miguel Tamen.
Segue-se pelas 20 horas, “Don’t Look Back” (1967), de D. A. Pennebaker, que acompanha Bob Dylan durante a sua digressão pelo Reino Unido em 1965, num período decisivo da sua carreira, marcado pela transição para o rock e pela guitarra eléctrica. O realizador teve acesso privilegiado aos bastidores, quartos de hotel e concertos, registando também a relação de Dylan com Joan Baez e os encontros com figuras como Donovan, Marianne Faithfull e Allen Ginsberg. A sessão é apresentada por António M. Feijó.
No dia 20 de Setembro, às 17h, chega “The Last Waltz” (1978), de Martin Scorsese, documento de um dos mais famosos concertos de despedida da história do rock. Filmado no Winterland Ballroom, em São Francisco, a 25 de Novembro de 1976, o espectáculo marcou a despedida dos The Band dos palcos e reuniu nomes como Bob Dylan, Eric Clapton, Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison e Neil Diamond. Considerado um dos grandes filmes-concerto de sempre, combina actuações, entrevistas e momentos de estúdio. A sessão é apresentada por Pedro Mexia.
Ainda no mesmo dia, “Stop Making Sense” (1984), de Jonathan Demme, mergulha no universo dos Talking Heads no auge da sua criatividade. Filmado ao longo de três noites no Pantages Theatre, em Hollywood, o filme constrói progressivamente o espectáculo a partir da entrada de David Byrne em palco, à qual se juntam os restantes músicos. O resultado tornou-se uma referência incontornável do filme-concerto e um retrato vibrante da cena New Wave. A sessão é apresentada por Isilda Sanches.
A programação prossegue a 26 de Setembro com “Summer of Soul” (2021), de Ahmir Khalib Thompson, que recupera as imagens do Harlem Cultural Festival de 1969, um acontecimento que reuniu cerca de 100 mil pessoas no Mount Morris Park, em Nova Iorque. Stevie Wonder, Nina Simone, Sly and the Family Stone e B.B. King foram alguns dos nomes que passaram pelo festival, posteriormente apelidado de “Woodstock Negro”. Apesar da sua dimensão histórica, as cerca de 40 horas de imagens filmadas por Hal Tulchin permaneceram praticamente esquecidas durante décadas, até serem recuperadas para este documentário, vencedor de um Óscar. A sessão é apresentada por Rui Miguel Abreu.
O ciclo encerra a 27 de Setembro com “Purple Rain” (1984), a estreia de Prince no grande ecrã e um dos filmes musicais mais emblemáticos da década. Em parte autobiográfico, o filme acompanha The Kid, personagem interpretada por Prince, um jovem músico que encontra na música uma forma de escapar à violência familiar, enquanto tenta afirmar a sua banda, The Revolution. O filme serviu também de veículo para o álbum homónimo, um dos maiores êxitos da carreira de Prince.
Mais do que uma retrospectiva sobre grandes nomes da música, “Don’t Look Back” propõe diferentes formas de pensar a relação entre música e imagem, explorando a ligação entre criação artística, movimentos sociais, cultura de massas e vanguardas. Os seis filmes mostram também como o cinema pode transformar acontecimentos efémeros em documentos capazes de atravessar gerações.
Todas as sessões têm entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete e sujeita à lotação da sala, com um máximo de dois bilhetes por pessoa. O levantamento presencial pode ser feito duas horas antes de cada sessão. Online, os bilhetes ficam disponíveis dois dias antes para titulares do Cartão Gulbenkian Mais e um dia antes para titulares do Cartão Gulbenkian, a partir das 10h00.
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