22 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #36/2026 – Mês de muitos regressos, nas várias perspetivas do seu significado, setembro traz, na primeira semana completa, várias boas propostas para escutar com atenção.

Bloc Party, Anatomy Of A Brief Romance (cOnTAGIOUS LTD)

Os Bloc Party regressam com o concetual Anatomy Of A Brief Romance, um registo que explora o ciclo de vida de uma relação ao longo de um ano com detalhe intimista e por vezes brutal. Produzido pelo lendário Trevor Horn, o álbum traduz uma certa vitalidade e o dinamismo que o vocalista Kele Okereke e a sua banda têm demonstrado nos últimos anos.

This Is Lorelei, The Singer In My Band (Matador)

Nate Amos apresenta The Singer In My Band, do projeto a solo This Is Lorelei. Escrito durante longas digressões mundiais entre o seu trabalho a solo e a sua banda Water From Your Eyes, o trabalho afirma-se como um verdadeiro álbum de estrada. Decompondo a tradição da música popular americana, Amos constrói narrativas surreais e cinematográficas.

emmy Curl, Pastoral 2.0 (Exemplar Editora)

A artista portuguesa emmy Curl apresenta Pastoral 2.0, o álbum de estreia da sua editora independente Exemplar Discos. Expandindo a concetualização solarpunk do projeto anterior, o registo celebra a língua mirandesa e as raízes celtas e pagãs de Trás-os-Montes. A cantautora tece uma ode comovente à resistência do interior de Portugal, equilibrando a melancolia do despovoamento com a esperança na preservação da memória e da identidade cultural.

Almost Monday, Thank God It’s Almost Monday

O trio de San Diego, Almost Monday, lança hoje Thank God It’s Almost Monday, um trabalho que navega entre o indie pop solar e o polimento de produção. Escrito no rescaldo de digressões intensas e de perdas pessoais, o álbum traduz momentos complexos que revelam a sua verdadeira identidade e charme irresistível.

Ibibio Sound Machine, Chopping Mountain (Merge Records)

O coletivo de Londres Ibibio Sound Machine regressa com Chopping Mountain, o seu sexto álbum de estúdio e o mais puro manifesto da sua missão de unir amor e resistência. O álbum afasta-se das direções de produtores externos recentes para resgatar a essência mais orgânica do grupo com a energia vibrante do highlife da África Ocidental e o post-punk, afrobeat, soul e eletrónica.

Sorcha Richardson, Draw The Outline (Faction Records)

Sorcha Richardson chega com Draw The Outline, um disco marcado pela sua mudança de Nova Iorque para a tranquilidade de West Kerry. A artista aposta numa instrumentação acústica mais quente, orgânica e despojada, sem abdicar do seu característico cunho lo-fi. O álbum afirma-se como uma obra íntima, madura e envolvente.

HUG, HUG (Luaka Bop)

O trio instrumental HUG, formado pelos amigos e colaboradores de longa data Devendra Banhart, Gyan Riley e Noah Georgeson, apresenta o seu álbum de estreia homónimo HUG. Longe de demonstrações exibicionistas de virtuosismo, o registo aposta num diálogo contemplativo, sereno e por vezes lúdico entre violões clássicos e guitarras elétricas. O disco constrói-se sobre uma paisagem sonora íntima e profunda sobre a amizade e a introspeção.

Sylvan Esso, Ow ∞ (Psychic Hotline)

O duo norte-americano Sylvan Esso, composto por Amelia Meath e Nick Sanborn, regressa com o seu quinto álbum de estúdio, Ow ∞. Criado sem pressão, o registo equilibra vulnerabilidade e dor e também uma ironia lúdica. O trabalho reflete a determinação da dupla em manter a música viva e humana num ecossistema industrial em mutação.

Marina Mole, Azucrim

Marina Mole inventou um anjo chamado Azucrim, e assim foi intitulado o álbum que a
artista brasileira lança agora pela editora Café8 Music. Com 10 temas, o disco conceptual percorre diferentes vertentes do rock enquanto traz reflexões existenciais a partir deste alter ego. A sonoridade que acompanha o disco é influenciada por diversas vertentes do rock, como surf, garage, punk, shoegaze e no wave.

Gavin Friday, Decadance – The Ecce Homo Orchestra Reworks (BMG)

O veterano Gavin Friday regressa com Decadence – The Ecce Homo Orchestra, um álbum companheiro do seu aclamado registo de 2024. Reinventando seis faixas do disco original numa suíte eletrónica contínua, o trabalho inspira-se no conceito de reconstrução sonora de obras clássicas do synth-pop.

Dead Horse, Caught the Nonsense (Sister 9 Records)

O trio londrino Dead Horse estreia-se nos álbuns de estúdio neste Caught the Nonsense, uma descida caótica e sombriamente divertida ao absurdo. Em pouco mais de meia hora, o grupo cruza post-punk, surf rock, ritmos dance-punk e saxofones frenéticos com letras surreais sobre a futilidade da vida moderna.

Dark Dazey, God Is A Frog Heaven Is A Swamp

O quinteto de Los Angeles, Dark Dazey, apresenta o seu segundo longa-duração God Is A Frog Heaven Is A Swamp, autodefinindo o seu estilo único como “Frog Rock”. A banda constrói uma colagem surreal e divertida, diante de um desencanto contemporâneo.

Ezra Collective, Here Because Of Hope

Os britânicos Ezra Collective apresentam Here Because Of Hope, um longa-duração focado na celebração e na cura através da dança. Estruturado em três movimentos que viajam da África Ocidental até às Caraíbas e às ruas de Londres, o álbum entrelaça jazz, reggae, dub e lovers’ rock. O disco conta com participações de Pa Salieu, Lila Iké e Leona Lewis..

Brian Fallon & The Painkillers, Not Bad For New Jersey

O líder dos The Gaslight Anthem, Brian Fallon, regressa em nome próprio e acompanhado pelos The Painkillers em Not Bad For New Jersey. O cantautor assina uma coleção revigorante de heartland rock, power-pop e folk. Há aqui uma participação especial de Brandon Flowers, na delicada “Love at the End of the World”, sendo um álbum que reafirma a maturidade narrativa de Fallon.

Formal Sppeedwear, Punch Card

Punch Card é o álbum de estreia do trio britânico Formal Sppeedwear. É um disco de post-punk e new wave inspirado na colagem sonora e no espírito de vanguarda com influências claras de Neu!, DEVO e com a estética art pop da era Scary Monsters de David Bowie.

Pokey LaFarge, Rent Money (Boxer Boy Records)

Pokey LaFarge edita hoje Rent Money, o seu primeiro longa-duração lançado pela própria Boxer Boy Records. Produzido por Elliot Bergman, o álbum cruza blues, honky-tonk, country e gospel sob uma estética ensolarada e descontraída. Contudo, sob as melodias luminosas, LaFarge tece observações perspicazes sobre a precariedade económica, o trabalho e a procura de paz espiritual na América contemporânea.

Jon Mckiel, Gold Horatio

O cantautor canadiano Jon McKiel apresenta Gold Horatio, o seu terceiro álbum produzido em parceria com o compositor avant-garde Jay Crocker. Ao longo de dez faixas, o registo subverte as formas tradicionais do folk e da pop através de gravações calorosas em fita magnética, eletrónica vintage, dinâmicas dub e ritmos não convencionais.

Orca, Apneia (Facada Records)

O projeto Orca, liderado pela artista Leonor Cabrita, apresenta Apneia, um álbum editado pela Facada Records. O disco cruza piano, sintetizadores e sopros num ambiente denso e expressivo e utiliza a suspensão da respiração como metáfora para abordar o trauma, a alienação e a violência estrutural. Contando com arranjos de Bá Álvares e colaborações de nomes como Yaw Tembe, Sallim e Mariana Camacho, a obra constrói um universo sonoro íntimo que nos impacta profundamente.

Eli Paperboy Reed, Getting There

O cantautor de soul Eli Paperboy Reed está de volta com o disco Getting There. É um registo focado na maturidade e no amor duradouro que foi produzido em colaboração com o lendário Swamp Dogg ao piano. O álbum une de forma fluida as linguagens do soul, gospel, country e R&B.

Bonobo, Distance in Static

Distance in Static é o novo trabalho de Simon Green, enquanto Bonobo e chega com o “peso” de ser, provavelmente, o seu último longa-duração no formato tradicional. Refletindo a sua evolução dos ambientes downtempo para as pistas de dança globais, o álbum é o seu trabalho mais focado na cultura clubbing. E apresenta várias colaborações, nomeadamente com Arooj Aftab, Joy Crookes ou Nicole Miglis.

Xico Gaiato, A Cada Passo Que Dou (Omnichord)

O músico Francisco Barata estreia-se sob o pseudónimo de Xico Gaiato com A Cada Passo Que Dou, editado pela Omnichord. Ao longo de catorze canções enraizadas na Beira Interior, o trabalho funde a música tradicional com contornos pop e eletrónicos, incorporando instrumentos como bombos e pífaros.

Margarida Campelo, Música de Elevador (Discos Submarinos)

A cantautora e compositora portuguesa Margarida Campelo regressa com Música de Elevador, editado pelos Discos Submarinos. Expandindo o universo do seu aclamado Supermarket Joy, o álbum de doze faixas utiliza a música ambiente como pretexto para erguer uma arquitetura sonora requintada e minuciosa.

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