Ao longo do disco, Francisco Barata parte dos sons que marcaram a sua infância na Beira Interior para os reinterpretar através de uma linguagem contemporânea, onde a eletrónica, a pop e a música tradicional se encontram naturalmente. Grande parte do álbum foi gravada em residência artística nas Donas, aldeia onde cresceu a sua mãe, e é aí que ganham forma muitos dos sons que atravessam o disco, dos bombos ao pífaro.
Uma das canções com a participação de Rossana nasceu também nesse processo, com uma sessão criativa realizada no Cabeço do Pião, junto às antigas Minas da Panasqueira.
O resultado é um conjunto de canções que dialoga entre passado e presente, revisitando memórias, lugares e histórias para construir uma identidade sonora profundamente enraizada no território.
O novo tema “ Na Raiz” surge na sequência de vários meses marcados por acontecimentos extremos. Da união entre Xico Gaiato e Bia Maria, duas vozes profundamente ligadas ao território nasce uma canção que olha para as comunidades que resistem, permanecem e se reconstroem. Cantam um futuro mais unido, coletivo, rural e justo.
Durante o verão, os incêndios consumiram milhares de hectares de floresta em Portugal. Meses depois, a tempestade Kristin deixa um novo rastro de destruição em várias regiões do país. Casas perderam forma, paisagens transformaram-se e muitas comunidades voltaram a enfrentar a fragilidade dos territórios onde vivem.
É nesse contexto que “Na Raíz” recupera histórias que não podem cair no esquecimento. A canção presta homenagem a quem ficou para cuidar, reconstruir e resistir quando os alarmes deixaram de soar e a atenção se desviou para outro lado. Mais do que denunciar a ausência, celebra a força que nasce quando as pessoas se juntam.
O lançamento é acompanhado por um visualizer realizado a partir de imagens cedidas por testemunhos dos incêndios e fenómenos meteorológicos que marcaram o último ano. Com direção visual de André Ivo, o vídeo transforma esses registos num arquivo de memória coletiva, reforçando a mensagem da canção.
O disco será apresentado ao vivo no próprio dia do lançamento, 10 de setembro, no Fundão no Auditório da Moagem,, cidade onde o projeto nasceu. Depois segue para o Teatrão, em Coimbra, a 16 de setembro, para a Casa da Criatividade, em São João da Madeira, a 17 de setembro, e para os Maus Hábitos, no Porto, a 9 de outubro. Estão ainda previstos novos concertos em Leiria e Lisboa, a anunciar brevemente.
* fotografia de André Ivo










