6 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Esta semana traz várias novidades mas destacamos apenas 6 novos discos, dos quais o dos De La Soul.

De La Soul, Cabin in the Sky (Mass Appeal / AOI)

Com Cabin in the Sky, os lendários De La Soul retornam com o seu primeiro álbum desde 2016 (And the Anonymous Nobody…), e o primeiro após a morte do membro fundador Trugoy the Dove (David “Dave” Jolicoeur) em 2023. O disco vive “no espaço entre a perda e a luz”, nas palavras de Posdnuos, explorando uma dualidade emocional profunda: dor e celebração e também luto e esperança. Cabin in the Sky reflete tanto a identidade clássica dos De La Soul quanto a maturidade conquistada ao longo dos anos e conta com participações de Killer Mike, Nas, Black Thought, Common e Yukimi (Little Dragon).

Sharp Pins, Balloon Balloon Balloon (Perennial / K Records)

Em Balloon Balloon Balloon, Kai Slater (membro dos Lifeguard) condensa a energia crua e vibrante do seu projeto Sharp Pins num álbum de 21 faixas que mais se parece como uma rádio pirata a transmitir memórias distorcidas da juventude. Gravado entre Chicago e Olympia e misturado por Slater e Hayes Waring, o disco, descrito como “acupuncture for the soul”, constrói um universo sonoro onde balões metafóricos funcionam como interlúdios que ligam canções mais ferozes, sempre com uma certa ternura subterrânea.

Haley Heynderickx & Max García Conover, What Of Our Nature (Fat Possum Records)

Haley Heynderickx e Max García Conover unem (mais uma vez) as suas linguagens em What Of Our Nature, um disco que parece observar o mundo a partir de um abrigo partilhado, ainda a tremer com o vento lá fora. O álbum desenrola-se como uma conversa íntima entre a delicadeza quase mística dela e a crueza terrosa dele. O resultado é um registo de folk meditativo, simples e luminoso.

Oneohtrix Point Never, Tranquilizer (Warp Records)

Daniel Lopatin volta a erguer aquele universo que é só dele. O novo disco de Oneohtrix Point Never é meio laboratório sonoro e meio delírio cinematográfico, mas aqui sente-se com uma nitidez quase fantasmagórica, como se a eletrónica respirasse devagar antes de se dissolver no ar.

The Salt Collective, A Brief History Of Blindness (Propeller Sound Recordings)

O regresso dos The Salt Collective — o projecto colaborativo franco-americano criado por Stéphane Schück, conhecido por juntar músicos de universos improváveis numa mesma corrente — volta a afirmar essa vocação de alquimia partilhada em A Brief History Of Blindness. Aqui cruzam-se vozes e mãos vindas de membros dos The Dream Syndicate, R.E.M., The Church e outras figuras orbitais do indie rock e da psicadelia, numa tapeçaria que soa simultaneamente familiar e deslocada, como se cada músico empurrasse a canção para um canto diferente da sala.

Bee Bee Sea – Stanzini Can Be Allright (Wild Honey Records)

Os italianos Bee Bee Sea regressam com Stanzini Can Be Allright a confirmar aquilo que sempre fizeram melhor: pegar no caos e transformá-lo num sprint de garage-punk delirante, cheio de humor torto e energia irrequieta. Há aqui aquele espírito de província barulhenta que sempre definiu o trio, uma mistura de irreverência adolescente e melodia contagiosa que torna o tema menos um manifesto de optimismo e mais um piscar de olho.