Os Surfbort são um coletivo oriundo de Brooklyn e que é liderado pela carismática e imprevisível Dani Miller. Lançaram no inídio deste mês o seu terceiro álbum, Reality Star, apenas para consolidar uma trajetória que faz da alegria um ato de resistência punk. Se os discos anteriores já tinham estabelecido a banda como uma força bruta da cena underground, este novo trabalho expande o horizonte sonoro do grupo, injetando uma dose generosa de “slacker pop” e rock alternativo dos anos 90 naquela que é a sua já habitual artilharia de punk-rock frenético.
O grupo alia a diversão desenfreada a uma visão crítica sobre as falhas do sistema atual, partindo do princípio anarquista de que lutar por um mundo melhor não significa abdicar da alegria ou da vontade de viver. E fazem disso um ponto de honra.
O disco abre com uma explosão de fúria e celebração, mas, à medida que avançamos, a realidade começa a infiltrar-se nas fendas da festa. Reality Star não é apenas sobre “beber e dançar para esquecer a dor”, embora temas como “Hot Chicks Cold Beer” sugiram esse escape; é uma reação direta às condições materiais do mundo moderno.
A faixa-título e temas como “Jessica’s Changed” mostram uma faceta mais “grungy” e melancólica, com Dani Miller a canalizar uma energia que remete para a crueza de Courtney Love ou L7, mas com um toque um pouco mais polido. Há uma justaposição fascinante entre o tédio da Geração X e a urgência do presente, culminando em frases que captam perfeitamente o espírito do tempo: a afirmação de ser uma “sexy-ass bitch” num mundo que enlouqueceu.
O álbum é uma manta de retalhos de influências que vão desde o punk de 1980 até ao renascimento indie rock do post-punk que faz lembrar os primeiros passos dos The Strokes misturado com os primeiros passos dos Weezer. Pode parecer algo estranho mas começa a ser difícil de classificar sons próprios. Mas são momentos como “FUGOMF” (Fuck You Get Outta My Face) que entregam o caos feroz e os gritos catárticos que os fãs esperam, enquanto outras faixas revelam uma vulnerabilidade desarmante.
“Peaches And Cream” resume bem o sentimento geral do registo, com guitarras distorcidas a acompanhar o desejo de “rir mais do que chorar até morrer”. Este equilíbrio entre a ferocidade e a inteligência satírica mostra-nos que os Surfbort não precisam de provar nada a ninguém; nós é que precisamos de lhes mostrar o quão necessários são.











