13 álbuns: As escolhas dos Terrible Mistake

Francisco Pereira

Os Terrible Mistake são uma das propostas mais enigmáticas e magnéticas a emergir da fértil cena musical de Leiria. Formada como uma dupla, a banda rapidamente se destacou por uma sonoridade que desafia classificações rígidas, mergulhando sem medos na eletrónica de cariz underground.

O percurso artístico do duo atingiu um marco decisivo em novembro de 2025 com o lançamento do álbum de estreia I Have An Atomic Bomb Inside Me. O disco é uma viagem por paisagens sonoras com ritmos que contagiam e que se cruzam com vozes imateriais e envoltas em efeitos. Através de temas como “Super Fly”, a banda explora a dualidade entre a introspeção emocional e a energia pulsante da pista de dança, afirmando uma identidade visual e auditiva muito própria.

A dupla de Leiria aceitou o desafio de abrir o seu baú de influências e partilhar para o Mente Cultural, os 13 álbuns que moldaram o seu ADN criativo. Trata-se de uma seleção que revela as raízes de um projeto que, como o próprio nome do seu disco de estreia indica, carrega uma força latente pronta a detonar em cada nova audição.

1. Morcheeba

Big Calm (1998)

Cativa-nos pelo groove e pelo andamento único, que entra quase que sem pedir licença. Há uma naturalidade na forma como os ritmos e as texturas se movem, criando um ambiente hipnótico, mas sereno. Essa atmosfera transporta-se inconscientemente para a nossa sonoridade.

2. Beck

Mellow Gold (1994)

Um álbum que marcou a década de 90, a música alternativa e inevitavelmente a vida individual de todos nós. As percussões de “Loser”, ou a peculiar sonoridade misteriosa de “Blackhole”, que nos rendem de forma incansável. I have an atomic bomb inside me transborda, naturalmente, destas mesmas virtudes (modéstia à parte).

3. Massive Attack

Mezzanine (1998)

Um dos álbuns que mais nos influenciou, pelo peso e intensa construção sónica. Cada faixa carrega uma massa sonora densa, sombria e uma tensão contínua, onde a força não reside no volume, mas na profundidade.

4. AIR

Moon Safari (1998)

Provavelmente a nossa maior referência. Ainda com a memória coletiva da jam de onomatopeias e chilreares ao som de “Le voyage de Pénélope” no Cooljazz de 2024, uma das nossas “visitas de estudo” mais vívidas. Sonoridades de cariz sexy e ambiental, a influência dos mestres da eletrónica sofisticada pode ser escutada diversas vezes neste projeto.

5. Giorgio Moroder

From Here to Eternity (1977)

A pista de dança é um dos principais focos desta equipa. Como tal, o pioneiro Giorgio Moroder tinha de fazer parte da lista com as suas melodias repetitivas, contagiantes e que levantam, até o pé mais pesado do mundo, do chão. Também nós temos o nosso Druida dos synths, Nuno el Takanakas Dionísio.

6. Allen Halloween

Híbrido (2015)

O único disco português que fez a lista. Com letras carregadas de peso emocional, que se ligam à sua voz de forma tão única e inimitável que nos inspira a procurar a mesma qualidade.

7. Nick Cave & The Bad Seeds

Ghosteen (2019)

Álbum etéreo, e de uma certa tristeza que demonstra o luto pelo qual o artista Nick Cave estava a passar nessa altura. É “A” obra sobre a qual mais recaímos no pré-concerto, em busca de calma e inspiração.

8. Primal Scream

Screamadelica (1991)

A derradeira compilação de hinos que uniu a cultura rave com o rock, e que criança bonita nasceu deste acasalamento. Acidez que, apenas sonhamos, conseguir entregar com o nosso trabalho.

9. Radiohead

In Rainbows (2007)

Sem qualquer necessidade de justificação ou apresentações. Uma masterpiece dos maiores da música alternativa, faz a lista pelo balanço perfeito entre caos e ordem, dinâmica que incessantemente tentamos incorporar em TM. Simplesmente paradoxal, 10/10.

10. Radiohead

Kid A (2000)

A abordagem mais experimental neste disco vive no recurso à negação do expectável. Fragmentos sonoros, eletrónica e silêncio fazem parte da composição, mostram-nos um território novo, nunca antes ouvido. Essa liberdade inspira-nos a procurar novas linguagens e a incorporar o inesperado na nossa própria sonoridade. Tamanha genialidade que são mencionados 2 vezes…

11. Spiritualized

Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space (1997)

Spacemen 3 nos cativavam com a sua abordagem vanguardista ao psicadelismo, mas é mesmo o J. Spaceman que faz a lista, com este épico tantrum que tem um pouco de tudo o que gostamos.

12. Stereolab

Emperor Tomato Ketchup (1996)

É pop, é experimental, é ruidoso, é estranho, é goofy… Tal como tudo o que há de melhor sabor, por requerer maturação sensorial, primeiro estranha-se, depois entranha se. Os Stereolab nunca deixarão de ser um dos maiores exemplos para nós no que toca a equilíbrio musical.

13. The Young Gods

Only Heaven (1995)

Álbum importantíssimo para me libertar alguns chakras oriundos de uma adolescência, naturalmente condicionada pela juvenil pressão social. Álbum de referência durante largos anos, dos 13 aos 43! Lembro-me de o dançar sozinho pela casa, que nem um livre passarinho vezes sem conta! Love it, é um peso pesado nas minhas influências em criação. Saravá e obrigado, The Young Gods.

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