O projeto Fontes Sonoras regressa à Aldeia das Fontes, em Leiria, entre 12 e 19 de abril, para a segunda residência artística de 2026. A artista convidada desta edição é Matilde Meireles, artista sonora cuja prática se centra na escuta profunda, na gravação de campo e na exploração das múltiplas camadas sonoras que compõem os lugares.
Ao longo de uma semana de residência, Matilde Meireles irá desenvolver um trabalho de investigação e criação centrado no rio Liz, propondo um percurso sensorial que a artista descreve como uma deriva sonora onde diferentes tempos, escalas e camadas de escuta se entrelaçam.
A proposta passa por observar e amplificar os micro-movimentos sonoros da paisagem, especialmente nas margens do rio. A artista pretende realizar um trabalho detalhado de captação e documentação de sons normalmente inacessíveis ao ouvido humano, utilizando técnicas de gravação especializadas, incluindo hidrofones, que permitem escutar o interior do rio. Estes sons pré-gravados serão posteriormente colocados em diálogo com os sons do próprio rio captados e transmitidos ao vivo, criando uma composição onde a documentação sonora e a abstração convivem com a presença real da paisagem.
A apresentação pública está prevista para 19 de abril pelas 15h30 e o público será convidado a acompanhar esta experiência de escuta expandida, onde gravações detalhadas do território se cruzam com o fluxo vivo do rio, revelando dimensões invisíveis e subtis do ambiente.
Matilde Meireles é uma artista sonora e field recordist cuja prática artística tem sido descrita como algo que “gira como o rolo de um filme invisível”. O seu trabalho combina improvisação, gravação de campo e composição, criando aquilo que chama de “sonic drifts”: percursos de escuta que revelam as relações entre diferentes espectros sonoros, escalas e temporalidades dos espaços que habitamos.
Depois de Matilde Meireles, o Fontes Sonoras encerra 2026 no Outono, entre 25 de outubro e 1 de novembro, com a sua terceira residência artística. Desta vez, com Kathy Hinde, artista e compositora britânica cujo trabalho explora fenómenos naturais, sistemas ecológicos e processos colaborativos entre humanos e não-humanos.
O Fontes Sonoras é uma iniciativa da CCER Mais / Omnichord, com curadoria de Raquel Castro e direção artística de Gui Garrido, dedicada à criação artística em diálogo com o território e a comunidade da Aldeia das Fontes. Através destas residências, o projeto promove práticas de escuta ativa e investigação sonora que procuram revelar novas formas de relação com o ambiente natural e social do lugar.
* fotografia de Vitor Lopes










