21 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #17/2026 – Esta semana há muito por onde escolher e quase dá vontade de destacar alguns dos... destaques. De Black Keys a Velhote do Carmo, aos estreantes Goo ou Pigeon, haja tempo para ouvir tudo.

The Black Keys, Peaches (Nonesuch Records)

Num ciclo de produtividade impressionante, os The Black Keys regressam às origens com Peaches!, um álbum de versões que resgata o som que fez da banda o que é hoje. Dan Auerbach canaliza um período pessoal conturbado numa catarse de blues e garage rock, entregando uma voz rugosa e riffs fortíssimos que remetem para a vitalidade de The Big Come Up. Entre clássicos de Ike Turner e Willie Griffin, o duo abandona experiências passadas para reafirmar a sua identidade.


Maya Hawke, Maitreya Corso (Mom + Pop)

Maya Hawke arrisca-se num território mais ambicioso em Maitreya Corso, um álbum conceptual que tenta fundir a sua sonoridade folk-pop com uma narrativa de fantasia épica. A produção de Christian Lee Houston é técnica e delicada, e evoca atmosferas de contos de fadas em temas como “Love of My Life”. Entre momentos inspirados de jangle pop e letras que oscilam entre o poético e o contundente, Hawke entrega o seu trabalho mais aventureiro até à data.


Jesca Hoop, Long Wave Home (Last Laugh / Republic Of Music)

Auto-produzido durante uma viagem de estrada, Long Wave Home é um convite de Jesca Hoop à exploração emocional e à introspeção. O álbum captura a essência de uma jornada física e espiritual, resultando numa sonoridade que é simultaneamente preciosa, frágil e poderosa. Com uma abordagem que equilibra a subtileza com a confrontação temática, Hoop oferece um antídoto para o isolamento da sociedade contemporânea de forma magistral.


American Football, LP4 (Polyvinyl Record Co.)

Seis anos após o seu último registo, os American Football estã de volta com LP4, um trabalho que recusa a estagnação e expande a sua sonoridade melancólica para horizontes mais grandiosos. Afastando-se da sombra do seu icónico álbum de estreia, o grupo de Illinois explora desde o synth-pop cintilante em “Wake Her Up” até à catarse ruidosa de oito minutos em “Bad Moons”.


The Claypool Lennon Delirium, The Great Parrot-Ox & The Golden Egg Of Empathy (ATO Records)

O duo The Claypool Lennon Delirium regressa com o seu terceiro álbum, The Great Parrot-Ox & The Golden Egg Of Empathy, uma obra que funde o funk mutante de Les Claypool com a herança psicadélica de Sean Lennon. Estruturado como uma ópera rock surreal sobre inteligência artificial e peixes-boi, o disco oscila entre melodias pop luminosas e excursões dissonantes e alucinatórias.


Hiss Golden Messenger, I’m People (Chrysalis Records)

Gravado numa igreja desativada em Woodstock, I’m People mergulha a sonoridade de M.C. Taylor (Hiss Golden Messenger) num brilho analógico que faz lembrar os clássicos dos anos 70. O álbum transita entre o country-rock de Laurel Canyon e o lamento sulista, contando com colaborações orgânicas de Bruce Hornsby e Sam Beam.


Tori Amos, In Times of Dragons (Decca Records)

No seu 18.º álbum de estúdio, In Time of Dragons, Tori Amos utiliza a simbologia reptiliana para dramatizar a autocracia e a elite tecnológica da sociedade americana. O grande destaque é o regresso triunfal do cravo em “Provincetown”, evocando a era de Boys for Pele com uma estrutura prog-rock refinada. É um lançamento sólido, mas que não atinge o fulgor essencial das suas obras primas dos anos 90.


Toadies, The Charmer

Com The Charmer, os Toadies regressam desafiando a longevidade da banda e mantendo o seu som próprio, ou seja, guitarras que rugem como motores e ritmos de precisão matemática. Gravado pelo lendário engenheiro de som Steve Albini antes do seu falecimento em 2024, o disco abdica de artifícios digitais em favor de uma crueza analógica orgânica. É Toadies no seu estado mais puro e sinistro.


Weird Nightmare, Hoopla (Sub Pop)

Temos vindo a falar dele. Weird Nightmare é o novo projeto de Alex Edkins (ex-Metz) que aqui se afasta do ruído abrasivo do passado para ir em direção à perfeição power pop. Co-produzido por Jim Eno, o álbum é um desfile de sons melódicos e também otimistas, e que bebe da simplicidade rítmica dos anos 60 e da energia de bandas como os The Replacements.


Modern Woman, Johnny’s Dreamworld (One Little Independent Records)

Os Modern Woman apresentam o seu álbum de estreia, Johnny’s Dreamworld. O coletivo londrino de art-rock traz-nos uma obra de grande estatura, onde o folk indie teatral colide com o pós-punk e a ópera-rock de vanguarda. Guiado pela voz elegante e operática de Sophie Harris e pela composição experimental de David Denyer, o disco explora ritmos surreais e paisagens sonoras caleidoscópicas.


KNEECAP, FENIAN (Heavenly)

Após o impacto global de Fine Art, os Kneecap regressam com FENIAN, um álbum que troca a euforia das raves por uma reflexão madura sobre o custo do sucesso e das batalhas legais. O trio de Belfast abandona o maximalismo caótico em favor de sons trip-hop e trance mais contidos, mas tecnicamente superiores.


BLARF, Film Scores for Films That Don’t Exist (Stones Throw Records)

Sob o pseudónimo BLARF, o comediante e ator Eric André revela a sua faceta de músico formado pela prestigiada Berklee no ambicioso Film Scores for Films That Don’t Exist. Afastando-se do caos anárquico do seu registo televisivo, André utiliza uma orquestra completa, gravada entre Los Angeles e Budapeste, para criar bandas sonoras imaginárias que homenageiam mestres como Ennio Morricone e Vangelis. O resultado é uma obra que oscila entre a sátira conceptual e a seriedade técnica absoluta.


Lip Critic, Theft World (Partisan Records)

O segundo álbum dos Lip Critic, Theft World, é uma explosão de digital hardcore e dance-punk que transforma um episódio real de roubo de identidade num manifesto sobre a originalidade e o absurdo. O quarteto de Brooklyn descarta convenções em favor de uma avalanche visceral de sintetizadores abrasivos e baterias duplas frenéticas, fazendo pensar numa mistura improvável entre DEVO e Death Grips.


Velhote do Carmo, Transparente (Discos Submarinos)

Três anos após o seu EP de estreia, Velhote do Carmo apresenta o seu primeira longa-duração, Transparente. O álbum é o resultado de um exercício profundo de autorreflexão, trocando a resolução de problemas passados por uma análise honesta do presente e das expectativas futuras. Em termos sonoros, o projeto une a essência do rock a ritmos bem dançáveis e letras contagiantes.


White Flowers, Dreams For Somebody Else (state51 Conspiracy)

O duo de Preston, White Flowers, volta com Dreams For Somebody Else, um trabalho que expande o seu dream pop sombrio para novos territórios de catarse. O álbum utiliza uma abordagem redon, resgatando gravações antigas para as apresentar com uma nova roupagem. A acompanhar de perto.


Fidju Kitxora, Ti manxe

O segundo álbum de Fidju Kitxora, Ti Manxe, é um mergulho profundo nas vivências de Cabo Verde, captado através de gravações de campo e diálogos entre as ilhas de São Nicolau, São Vicente e Santiago. O título, que em crioulo significa “até amanhecer”, reflete um percurso sonoro construído por camadas de memória e tensão quotidiana.


Goo, Oh Wow, Oh Well

Os Goo estreiam-se com Oh Wow, Oh Well, um registo que captura a urgência e a crueza do rock independente moderno. O álbum é um exercício de contrastes tanto abrasivo como imprevisível. O grupo explora temas de desilusão juvenil e euforia urbana, mantendo sempre uma produção vibrante que privilegia a autenticidade sobre o polimento excessivo.


Pigeon, Outtanational

Os Pigeon estreiam-se com OUTTANATIONAL, um álbum que espelha a diversidade cultural dos seus membros. Liderada pela voz e percussão de Falle Nioke, a banda transborda um otimismo inato, funcionando como um antídoto para a melancolia através de temas como “Miami” ou “Black James Dean”.


The Sleeveens, National Anthem (Goner Records)

Os The Sleeveens são um coletivo radicado entre Dublin e Nashville, e entrega com National Anthem uma fusão revigorante de protopunk e rock ‘n’ roll clássico. Sob a liderança do irlandês Stefan Murphy, o segundo álbum da banda mantém a estrutura melódica direta, mas injeta uma nova camada de comentário político e introspeção calejada.


UltraBomb, The Bridges That We Burn (The Label Group)

Os UltraBomb, o trio formado por Greg Norton (Hüsker Dü), Derek O’Brien (Social Distortion, Adolescents) e Ryan Smith (Soul Asylum), regressam com The Bridges That We Burn, um manifesto de punk rock que transforma décadas de história em necessidade atual. O álbum funde a energia de Minneapolis com o coração do rock alternativo, e equilibra melodia com agressividade direta.


Kumpania Algazarra, Tudo ao Contrário

No dia 1 de Maio de 2026 a banda edita o seu novo álbum Tudo ao Contrário, data em que estará disponível em todas as plataformas. Este é o décimo álbum de estúdio e será também o primeiro disco dos Kumpania Algazarra que será editado em formato vinil.

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