The Black Keys, Peaches (Nonesuch Records)
Num ciclo de produtividade impressionante, os The Black Keys regressam às origens com Peaches!, um álbum de versões que resgata o som que fez da banda o que é hoje. Dan Auerbach canaliza um período pessoal conturbado numa catarse de blues e garage rock, entregando uma voz rugosa e riffs fortíssimos que remetem para a vitalidade de The Big Come Up. Entre clássicos de Ike Turner e Willie Griffin, o duo abandona experiências passadas para reafirmar a sua identidade.
Maya Hawke, Maitreya Corso (Mom + Pop)
Maya Hawke arrisca-se num território mais ambicioso em Maitreya Corso, um álbum conceptual que tenta fundir a sua sonoridade folk-pop com uma narrativa de fantasia épica. A produção de Christian Lee Houston é técnica e delicada, e evoca atmosferas de contos de fadas em temas como “Love of My Life”. Entre momentos inspirados de jangle pop e letras que oscilam entre o poético e o contundente, Hawke entrega o seu trabalho mais aventureiro até à data.
Jesca Hoop, Long Wave Home (Last Laugh / Republic Of Music)
Auto-produzido durante uma viagem de estrada, Long Wave Home é um convite de Jesca Hoop à exploração emocional e à introspeção. O álbum captura a essência de uma jornada física e espiritual, resultando numa sonoridade que é simultaneamente preciosa, frágil e poderosa. Com uma abordagem que equilibra a subtileza com a confrontação temática, Hoop oferece um antídoto para o isolamento da sociedade contemporânea de forma magistral.
American Football, LP4 (Polyvinyl Record Co.)
Seis anos após o seu último registo, os American Football estã de volta com LP4, um trabalho que recusa a estagnação e expande a sua sonoridade melancólica para horizontes mais grandiosos. Afastando-se da sombra do seu icónico álbum de estreia, o grupo de Illinois explora desde o synth-pop cintilante em “Wake Her Up” até à catarse ruidosa de oito minutos em “Bad Moons”.
The Claypool Lennon Delirium, The Great Parrot-Ox & The Golden Egg Of Empathy (ATO Records)
O duo The Claypool Lennon Delirium regressa com o seu terceiro álbum, The Great Parrot-Ox & The Golden Egg Of Empathy, uma obra que funde o funk mutante de Les Claypool com a herança psicadélica de Sean Lennon. Estruturado como uma ópera rock surreal sobre inteligência artificial e peixes-boi, o disco oscila entre melodias pop luminosas e excursões dissonantes e alucinatórias.
Hiss Golden Messenger, I’m People (Chrysalis Records)
Gravado numa igreja desativada em Woodstock, I’m People mergulha a sonoridade de M.C. Taylor (Hiss Golden Messenger) num brilho analógico que faz lembrar os clássicos dos anos 70. O álbum transita entre o country-rock de Laurel Canyon e o lamento sulista, contando com colaborações orgânicas de Bruce Hornsby e Sam Beam.
Tori Amos, In Times of Dragons (Decca Records)
No seu 18.º álbum de estúdio, In Time of Dragons, Tori Amos utiliza a simbologia reptiliana para dramatizar a autocracia e a elite tecnológica da sociedade americana. O grande destaque é o regresso triunfal do cravo em “Provincetown”, evocando a era de Boys for Pele com uma estrutura prog-rock refinada. É um lançamento sólido, mas que não atinge o fulgor essencial das suas obras primas dos anos 90.
Toadies, The Charmer
Com The Charmer, os Toadies regressam desafiando a longevidade da banda e mantendo o seu som próprio, ou seja, guitarras que rugem como motores e ritmos de precisão matemática. Gravado pelo lendário engenheiro de som Steve Albini antes do seu falecimento em 2024, o disco abdica de artifícios digitais em favor de uma crueza analógica orgânica. É Toadies no seu estado mais puro e sinistro.
Weird Nightmare, Hoopla (Sub Pop)
Temos vindo a falar dele. Weird Nightmare é o novo projeto de Alex Edkins (ex-Metz) que aqui se afasta do ruído abrasivo do passado para ir em direção à perfeição power pop. Co-produzido por Jim Eno, o álbum é um desfile de sons melódicos e também otimistas, e que bebe da simplicidade rítmica dos anos 60 e da energia de bandas como os The Replacements.
Modern Woman, Johnny’s Dreamworld (One Little Independent Records)
Os Modern Woman apresentam o seu álbum de estreia, Johnny’s Dreamworld. O coletivo londrino de art-rock traz-nos uma obra de grande estatura, onde o folk indie teatral colide com o pós-punk e a ópera-rock de vanguarda. Guiado pela voz elegante e operática de Sophie Harris e pela composição experimental de David Denyer, o disco explora ritmos surreais e paisagens sonoras caleidoscópicas.
KNEECAP, FENIAN (Heavenly)
Após o impacto global de Fine Art, os Kneecap regressam com FENIAN, um álbum que troca a euforia das raves por uma reflexão madura sobre o custo do sucesso e das batalhas legais. O trio de Belfast abandona o maximalismo caótico em favor de sons trip-hop e trance mais contidos, mas tecnicamente superiores.
BLARF, Film Scores for Films That Don’t Exist (Stones Throw Records)
Sob o pseudónimo BLARF, o comediante e ator Eric André revela a sua faceta de músico formado pela prestigiada Berklee no ambicioso Film Scores for Films That Don’t Exist. Afastando-se do caos anárquico do seu registo televisivo, André utiliza uma orquestra completa, gravada entre Los Angeles e Budapeste, para criar bandas sonoras imaginárias que homenageiam mestres como Ennio Morricone e Vangelis. O resultado é uma obra que oscila entre a sátira conceptual e a seriedade técnica absoluta.
Lip Critic, Theft World (Partisan Records)
O segundo álbum dos Lip Critic, Theft World, é uma explosão de digital hardcore e dance-punk que transforma um episódio real de roubo de identidade num manifesto sobre a originalidade e o absurdo. O quarteto de Brooklyn descarta convenções em favor de uma avalanche visceral de sintetizadores abrasivos e baterias duplas frenéticas, fazendo pensar numa mistura improvável entre DEVO e Death Grips.
Velhote do Carmo, Transparente (Discos Submarinos)
Três anos após o seu EP de estreia, Velhote do Carmo apresenta o seu primeira longa-duração, Transparente. O álbum é o resultado de um exercício profundo de autorreflexão, trocando a resolução de problemas passados por uma análise honesta do presente e das expectativas futuras. Em termos sonoros, o projeto une a essência do rock a ritmos bem dançáveis e letras contagiantes.
White Flowers, Dreams For Somebody Else (state51 Conspiracy)
O duo de Preston, White Flowers, volta com Dreams For Somebody Else, um trabalho que expande o seu dream pop sombrio para novos territórios de catarse. O álbum utiliza uma abordagem redon, resgatando gravações antigas para as apresentar com uma nova roupagem. A acompanhar de perto.
Fidju Kitxora, Ti manxe
O segundo álbum de Fidju Kitxora, Ti Manxe, é um mergulho profundo nas vivências de Cabo Verde, captado através de gravações de campo e diálogos entre as ilhas de São Nicolau, São Vicente e Santiago. O título, que em crioulo significa “até amanhecer”, reflete um percurso sonoro construído por camadas de memória e tensão quotidiana.
Goo, Oh Wow, Oh Well
Os Goo estreiam-se com Oh Wow, Oh Well, um registo que captura a urgência e a crueza do rock independente moderno. O álbum é um exercício de contrastes tanto abrasivo como imprevisível. O grupo explora temas de desilusão juvenil e euforia urbana, mantendo sempre uma produção vibrante que privilegia a autenticidade sobre o polimento excessivo.
Pigeon, Outtanational
Os Pigeon estreiam-se com OUTTANATIONAL, um álbum que espelha a diversidade cultural dos seus membros. Liderada pela voz e percussão de Falle Nioke, a banda transborda um otimismo inato, funcionando como um antídoto para a melancolia através de temas como “Miami” ou “Black James Dean”.
The Sleeveens, National Anthem (Goner Records)
Os The Sleeveens são um coletivo radicado entre Dublin e Nashville, e entrega com National Anthem uma fusão revigorante de protopunk e rock ‘n’ roll clássico. Sob a liderança do irlandês Stefan Murphy, o segundo álbum da banda mantém a estrutura melódica direta, mas injeta uma nova camada de comentário político e introspeção calejada.
UltraBomb, The Bridges That We Burn (The Label Group)
Os UltraBomb, o trio formado por Greg Norton (Hüsker Dü), Derek O’Brien (Social Distortion, Adolescents) e Ryan Smith (Soul Asylum), regressam com The Bridges That We Burn, um manifesto de punk rock que transforma décadas de história em necessidade atual. O álbum funde a energia de Minneapolis com o coração do rock alternativo, e equilibra melodia com agressividade direta.
Kumpania Algazarra, Tudo ao Contrário
No dia 1 de Maio de 2026 a banda edita o seu novo álbum Tudo ao Contrário, data em que estará disponível em todas as plataformas. Este é o décimo álbum de estúdio e será também o primeiro disco dos Kumpania Algazarra que será editado em formato vinil.











