Sonny Rollins, um dos últimos colossos da era dourada do jazz, faleceu ontem (25 de maio) aos 95 anos. A confirmação foi dada pela sua porta-voz à Associated Press, que, apesar de não especificar a causa da morte, indicou que o músico se encontrava recolhido na sua residência em Woodstock, Nova Iorque, devido a problemas de saúde persistentes. O saxofonista deixa um legado imensurável na história da música, tendo moldado a arte da improvisação ao lado de referências como Charlie Parker e John Coltrane.
Nascido no bairro do Harlem em 1930, Rollins iniciou o seu percurso de forma autodidata e cedo começou a frequentar a noite nova-iorquina. A sua técnica e genialidade abriram-lhe portas ainda na adolescência para tocar com vultos como Thelonious Monk, Miles Davis e Bud Powell. O percurso ascendente sofreu um revés devido à dependência de heroína, levando-o à prisão e à vida nas ruas, um ciclo destrutivo que quebrou em 1954 após um internamento de reabilitação que o próprio descreveu como um verdadeiro despertar espiritual.
O regresso à música foi triunfal e culminou em 1956 com o lançamento de Saxophone Colossus, o álbum que o consagrou definitivamente. Seguiram-se os aclamados Way Out West e Freedom Suite, mas a sua incessante busca pela perfeição levou-o a retirar-se temporariamente no auge da fama para praticar sozinho na ponte de Williamsburg. Mais tarde, uma viagem ao Japão e a descoberta do Zen Budismo motivaram um novo hiato, regressando aos palcos mundiais em 1972 com o estatuto de lenda viva.
A sua versatilidade cruzou fronteiras e chegou ao universo do rock em 1981, quando gravou o icónico solo de saxofone na balada “Waiting on a Friend” dos Rolling Stones, incluída no álbum Tattoo You. Rollins manteve-se ativo e a lançar discos elogiados até avançada idade, tendo conquistado um Grammy em 2001 com This is What I Do. Afastado dos palcos desde 2012 e sem conseguir tocar desde 2014 devido a uma fibrose pulmonar, o músico, conhecido pela sua autocrítica feroz, confessou numa das suas últimas entrevistas o alívio por deixar de sofrer pela exigência da sua própria arte.
* fotografia de John Abbott











