Mão é o ambicioso projeto que volta a juntar António Pereira e Paulo Pedro Gonçalves, dois verdadeiros iconoclastas que têm escrito a narrativa da música portuguesa desde os anos 1980. O primeiro é mais conhecido como DJ Vibe, pioneiro da cultura de dança e figura de culto internacional no universo da house music. O segundo é um dos fundadores dos Heróis do Mar, instituição incontornável da pop nacional, tendo também deixado a sua marca no punk d’Os Faíscas e na new wave do Corpo Diplomático. Juntos, e mais de três décadas após partilharem o coletivo LX-90, regressam agora no primeiro quarto do século XXI guiados por uma cumplicidade intacta.
Lançado a 16 de abril passado, o álbum de estreia homónimo é um manifesto instrumental editado exclusivamente numa tiragem limitada em vinil. Gravado no estúdio de DJ Vibe em Lisboa, o disco funciona como um passaporte sónico que condensa oito viagens por diferentes geografias, desde os Estados Unidos em “Pine Ridge” até ao Japão em “Yokohama Clouds”. Os dois artistas moldam uma sonoridade sem fronteiras que celebra valores de inclusividade, tolerância e aceitação através de ritmos vibrantes e hipnóticos.
Nesta fase de partilha e celebração de quatro décadas de dedicação à arte, os Mão aceitaram o desafio de olhar para trás e escolher os discos que os acompanham. Em exclusivo para o Mente Cultural, a dupla selecionou os 10 álbuns que compõem o mapa fundamental das suas influências ao longo da vida, uma curadoria única e preciosa.
1. Peter Frampton
Frampton Comes Alive! (1976)
escolha de DJ Vibe
Gravado em Junho de 1975, no Hinterland Ballroom, em San Francisco, inclui “Do You Feel Like We Do”, uma faixa com 14 minutos de onde realço o solo de guitarra com talk box, que naquela altura me deixou rendido. E ainda hoje, quando ouço.
2. Creedence Clearwater Revival
Green River (1969)
escolha de DJ Vibe
A música que me fez despertar para a música.
3. Kraftwerk
Radio-Activity (1975)
escolha de DJ Vibe
Foi um disco que me marcou também naquela época pelo facto de todo ele ter uma sonoridade nova. Nunca tinha escutado nada igual. Foi com este disco que comecei a interessar-me pela música com sintetizadores.
4. Malcolm McLaren
Fans (1984)
escolha de DJ Vibe
Este disco marcou-me pela mistura entre a eletrónica, o hip hop e a ópera, aqui com uma passagem da famosa ária “Un bel dì vedremo”, da ópera Madama Butterfly, de Giacomo Puccini.
5. DJ Vibe
FREQUÊNCIAS (2024)
escolha de DJ Vibe
O meu primeiro álbum a solo que, obviamente, é um dos discos da minha vida.
6. Sex Pistols
Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols (1977)
escolha de Paulo Pedro Gonçalves
O melhor álbum punk de sempre. Não bateram a porta, deitaram o prédio abaixo com um tanque de guerra. “God Save The Queen / The fascist regime / They made you a moron.”
7. James White and the Blacks
Off White (1979)
escolha de Paulo Pedro Gonçalves
James White tocava um punk funk com free jazz. Um cocktail perigoso. A guitarra desert disco influenciou a minha no primeiro disco dos Heróis do Mar.
8. Talking Heads
Remain in Light (1980)
escolha de Paulo Pedro Gonçalves
Talking Heads meets Fela Kuti! And what a meeting this is. Brian Eno compra um disco do Fela e mostra à banda de David Byrne, e o resto é history, as they say.
9. Ennio Morricone
Once Upon A Time In America (1984)
escolha de Paulo Pedro Gonçalves
Numa aldeia pequena, onde tenho uma casa, ponho esta banda sonora a tocar, pump up the volume e rego as árvores e as flores.
10. The Jimi Hendrix Experience
Are You Experienced? (1967)
escolha de Paulo Pedro Gonçalves
Tive este álbum quando era muito novo e estive uma semana a olhar para a capa com medo que, se ouvisse este disco, começava a usar droga! Bem, o primeiro solo de guitarra que aprendi foi o do “Hey Joe”.
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