19 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #25/2026 – Depois de uma semana passada mais comedida, esta nova semana traz muitas novidades e muitos álbuns bons para ouvir e conhecer.

Butthole Surfers, After The Astronaut (Sunset Blvd.)

Os norte-americanos Butthole Surfers vêem finalmente editado o seu mítico álbum perdido, After The Astronaut. Originalmente gravado no final dos anos 90 como o sucessor planeado para o icónico Electriclarryland, o lançamento do disco acabou por ser cancelado pela sua antiga editora devido a conflitos contratuais. O trabalho chega agora aos escaparates com o seu alinhamento original intacto, recheado do característico rock psicadélico, experimentalismo caótico e punk disruptivo que definiu a banda de Gibby Haynes.

Muse, The Wow! Signal (Warner)

Os britânicos Muse estão de regresso com o seu décimo álbum de estúdio, intitulado The Wow! Signal. Inspirado no famoso sinal de rádio captado em 1977 e em teorias de vida extraterrestre, o novo trabalho apresenta uma sonoridade conceptual massiva. Matt Bellamy e companhia combinam o seu rock espacial característico com sintetizadores cinematográficos, riffs pesados e arranjos de orquestra.

Temples, Bliss (V2 Records)

Os Temples apresentam Bliss que mantém a sua forte identidade neo-psicadélica. O álbum destaca-se pela produção polida e detalhada, combinando sintetizadores analógicos, guitarras e harmonias vocais que remetem para a pop barroca dos anos 60.

Tasha, You Are Spring! (Bayonet)

A cantautora de Chicago Tasha regressa com You Are Spring!, um belíssimo registo onde a sua delicada folk se mistura com uma sensibilidade pop reconfortante. A artista desenha um refúgio acolhedor e luminoso através de canções curtas, íntimas e repletas de um lirismo poético, ideal para os dias de transição e crescimento.

Beth Orton, The Ground Above (Partisan)

Beth Orton edita The Ground Above, um álbum que aprofunda a eletrónica espiritual e a folk intimista que redefiniram a sua carreira nos últimos anos, ancorando-se em sintetizadores modulares e arranjos de piano melancólicos. Através de interpretações vocais cruas e profundamente emotivas, Orton explora temas como o luto, a cura e a ligação à terra.

Spacemoth, Inward Eye (Greenway Records)

A produtora, engenheira de som e multi-instrumentista Maryam Qudus regressa com Inward Eye, o segundo longa-duração do seu projeto a solo Spacemoth. O disco, composto por dez faixas, mergulha num universo de pop psicadélica cósmica e foi escrito entre o seu estúdio em Oakland e os quartos de hotel durante as suas digressões.

ACID ACID, The Radio Under The Stars (OVO Estrelado)

O músico e radialista Tiago Castro acaba de lançar o seu terceiro álbum de estúdio sob o alter ego ACID ACID. Intitulado The Radio Under The Stars, o novo trabalho já se encontra disponível a partir de hoje em formato digital e numa cuidada edição em vinil.

LOWREV, It’s Hard to Lie to Strangers (Rude Records/Equal Vision Records)

O músico e produtor britânico Nathan Jenkins, operando sob o pseudónimo de LOWREV, apresenta It’s Hard to Lie to Strangers. O registo explora as margens da eletrónica ambiental, da idm abstrata e das colagens sónicas. O álbum traça uma narrativa melancólica sobre a desconexão humana e a vulnerabilidade urbana. É um trabalho desafiante, cinemático e profundamente imersivo no panorama eletrónico contemporâneo.

Dari Bay, Surprise Wish (Double Double Whammy)

O projeto indie rock Dari Bay, liderado pelo músico norte-americano Zack James (membro de digressão dos Unknown Mortal Orchestra), apresenta o seu segundo álbum de estúdio, intitulado Surprise Wish, editado pela prestigiada Double Double Whammy. Gravado de forma caseira e solitária enquanto o artista terminava a faculdade, o sucessor da estreia de 2023 limpa as arestas mais ruidosas do projeto e foca-se num som imediato. A ouvir com atenção.

JJerome87, The Canyon (Mushroom Music/Virgin)

O cantor e compositor britânico Joe Newman, vocalista dos alt-J, estreia o seu projeto solo sob o pseudónimo JJerome87 com o álbum The Canyon. O disco foi gravado em Los Angeles com o produtor Carlos de la Garza e afasta-se do registo habitual da sua banda para explorar uma sonoridade cinematográfica inspirada pela Americana, pop psicadélica e influências da Motown.

Girl Trouble, As Is (K Records)

A lendária banda de garage punk de Tacoma, Girl Trouble, regressa com o portentoso As Is. O quarteto continua fiel à sua ética totalmente independente e ao espírito que os move desde a década de 1980. Entregam um conjunto de canções cruas, diretas e repletas de guitarras distorcidas e ritmos primitivos. Uma celebração pura do rock ‘n’ roll mais autêntico e intemporal.

The Pretty Reckless, Dear God (Fearless Records)

The Pretty Reckless lançam o seu quinto álbum de estúdio, intitulado Dear God. O registo de catorze faixas é descrito como o trabalho mais cru e confessional da carreira da banda. Aborda temáticas sobre mortalidade, desespero e redenção através de singles pujantes como “For I Am Death” e “When I Wake Up”.

Knitting, Souvenir (Mint Records)

O projeto de indie rock canadiano Knitting apresenta o seu aguardado longa-duração de estreia, Souvenir. O quarteto de Montreal constrói uma sonoridade assente no revivalismo do indie dos anos 90, cruzando distorções com melodias de voz doce e melancólica. As canções exploram a intimidade juvenil, a nostalgia urbana e o crescimento.

American Aquarium, New Ways To Lose

New Ways To Lose é o novo trabalho dos American Aquarium e mostra-nos uma coleção de canções sinceras e confessionais firmadas no melhor do alt-country e do heartland rock. O disco aborda com honestidade desarmante as desilusões da classe trabalhadora, o envelhecimento e as contradições do sonho americano.

Danny Golden, The Big Blue

O cantor, compositor e multi-instrumentista de Austin, Danny Golden, apresenta The Big Blue, que foi gravado após uma viagem inspiradora à antiga casa de Leonard Cohen na Grécia. O álbum foi produzido por Chris Boosahda e conta com colaborações de músicos associados aos Shakey Graves e aos White Denim, servindo como uma crónica confessional sobre sobriedade, luto e desapego.

Dallas Good + Richard Reed Parry, Were The Watchtowers

O projeto póstumo Were The Watchtowers junta o guitarrista canadiano Dallas Good (líder dos The Sadies, falecido em 2022) ao aclamado multi-instrumentista Richard Reed Parry, um dos membros fundadores dos Arcade Fire. Este trabalho instrumental colaborativo combina a folk psicadélica e as texturas cinematográficas de guitarras de Good com os arranjos de cordas neoclássicos, densos e minimalistas de Parry. O disco resulta numa belíssima e comovente homenagem sónica à memória do músico.

Rat Boy, Crash!

O projeto britânico Rat Boy volta com este ruidoso Crash!. Fiel à sua sonoridade hiperativa, o músico cruza o garage punk, o indie rock e o hip-hop clássico com uma estética lo-fi e samples urbanos. O trabalho mantém viva a urgência e o espírito subversivo de colaborações anteriores com lendas do punk como Tim Armstrong.

Sans Froid, Back Into The Womb (Big Scary Monsters)

Os britânicos Sans Froid estreiam-se nos longa-duração com Back Into The Womb. O quarteto de Bristol constrói uma sonoridade singular que cruza o art-rock teatral, o math-rock e o post-hardcore. O disco serve de palco para a impressionante amplitude vocal de Aisling Whiting sendo uma obra densa e imprevisível, carregada de uma catarse emocional profundamente crua.

Shamus, The Seven Seas (Right On Records)

O músico multi-instrumentista canadiano Shamus Currie, conhecido pelo seu trabalho fulcral nos The Sheepdogs, apresenta o seu segundo esforço a solo com The Seven Seas. Este ambicioso registo conceitual de treze faixas traça um paralelo fascinante entre a Odisseia de Homero e as provações da vida na estrada de um artista em digressão.

Partilha

TAGS