Eddy Current Suppression Ring – In Light of Recent Events (2026)

Francisco Pereira

Crítica ao quinto álbum dos Eddy Current Suppression Ring, "In Light of Recent Events". O regresso surpresa do lendário quarteto punk de Melbourne.

Heróis de culto do underground de garagem mundial, os australianos Eddy Current Suppression Ring nunca foram dados a seguir as regras tradicionais da indústria musical. Após um hiato de seis anos, que se seguiu ao certeiro All in Good Time (2019), o quarteto de Melbourne regressou com o lançamento surpresa de In Light of Recent Events, o seu quinto álbum de estúdio. O registo é o culminar de um ano de ensaios semanais secretos e concertos clandestinos sob pseudónimos bizarros como Jimmy and the Ringtones ou Top Hats.

Se em julho de 2025 a banda tinha aguçado o apetite com o EP Shapes and Forms, este novo longa-duração surge com uma energia renovada e focada. O grupo mantém intacta a sua capacidade única de criar ritmos irresistíveis com uma tensão quase claustrofóbica. O som é rasgado, intenso e elétrico, transformando a ansiedade quotidiana e a exaltação rock numa espécie de duas faces da mesma moeda. E ao longo de 11 canções, a banda procura não ceder aos clichés do género, coisa que aliás, os verdadeiros punks nunca fazem.

O alinhamento recupera os singles “Hard to Be Moved” e a soberba “Swimmin’ Hole” (uma malha de forte inspiração nos Velvet Underground), acrescentando-lhes mais nove descargas de puro punk musculado. Começa com a arrepiante “Self Sabotage” e pelo meio, destacam-se faixas como “Ivory Tower”, que se reconstrói a si própria através de pura espinha dorsal e crueza, o ritmo balístico de “Bop”, e a desolação arrastada de “Empathetic”. O fecho faz-se com a guitarra mais limpa de “On My Way Home”, mostrando uma banda a baixar ligeiramente a guarda.

In Light of Recent Events prova que a ausência prolongada só tornou o regresso dos Eddy Current Suppression Ring mais saboroso. O grupo assina um trabalho repleto de hinos viscerais e pequenos “cavalos de Troia” pop que prometem ocupar o seu (leia-se, o nosso) espaço. É o regresso perfeito de uma banda que só toca e grava quando quer e que, quando o faz, mostra como é que é.

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