Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí – Uma História dos Doces Bárbaros

Francisco Pereira

Luiz Abrahão

Edição: entre julho e outubro de 2026 via Garota FM Books

Em 1976, durante um dos períodos mais duros da ditadura militar, quatro dos maiores nomes da música brasileira uniram-se num projeto coletivo que marcou a época e entrou para a História. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia tornaram-se os Doces Bárbaros, quarteto criado para celebrar uma década de carreira dos quatro artistas com uma série de atuações que estreou em junho de 1976 no Anhembi, em São Paulo. Em “Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí – Uma História dos Doces Bárbaros”, Luiz Abrahão reconstrói a cronologia deste “supergrupo” pós-tropicalista, desde a estreia conjunta em Salvador, ainda em 1964, passando também pela explosão das suas carreiras individuais, quando já eram tratados como um “grupo baiano” unificado, até a consolidação definitiva dessa parceria nos anos 1970.

A obra investiga episódios marcantes e controversos, como a génese do nome – uma resposta de Caetano Veloso aos preconceitos proferidos pelo jornal O Pasquim, na época – e a prisão de Gilberto Gil em Florianópolis por porte de maconha, que interrompeu a digressão e colocou o grupo no centro de um debate sobre moralidade promovido pelas forças de repressão. Através de uma pesquisa extensa e rigorosa, o livro explora os bastidores dos concertos de 1976, além de registar os outros encontros do quarteto ao longo dos anos, do desfile da Mangueira em 1994 até as últimas apresentações conjuntas em 2002. Trata-se de um relato essencial, com uma abordagem inédita, que mostra como a união desses quatro “bárbaros”, mais do que um simples encontro de amigos, simbolizou uma “utopia de liberdade” no meio de tempos tão obscuros.

Partilha

TAGS