17 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #27/2026 – Esta semana marca o regresso dos senhores Rolling Stones mas também Jack White. E muito mais desde Panda Bear e Máquina. a Pamela. ou Ultra Lights.

The Rolling Stones, Foreign Tongues (Capitol)

Os lendários Rolling Stones regressam com Foreign Tongues, sucedendo ao premiado Hackney Diamonds. Composto por catorze faixas gravadas em Londres e em apenas um mês, o álbum equilibra doze originais com uma versão de Amy Winehouse e um tributo a Chuck Berry. O registo conta com convidados de luxo como Paul McCartney, Robert Smith e Steve Winwood, além de incluir uma pungente e derradeira gravação de estúdio do saudoso baterista Charlie Watts.

Jack White, Frozen Charlotte (Third Man Records)

Jack White apresenta o seu sétimo álbum de estúdio, Frozen Charlotte, editado pela sua Third Man Records. Mantendo o ímpeto criativo que marcou o antecessor No Name, White entrega uma descarga de alta voltagem de garage rock intenso com o blues tradicional. O disco foi gravado com os seus colaboradores habituais e capta a química inegável da banda.

Panda Bear & Sonic Boom, A ? of WHEN (Domino)

A dupla Panda Bear e Sonic Boom regressa com o seu segundo longa-duração colaborativo, A ? of WHEN, sucedendo ao aclamado Reset. Noah Lennox e Peter Kember expandem o seu espetro sónico num trabalho repleto de experimentalismo pop, loops cegos e as habituais harmonias carregadas de reverb. O registo conta com a participação especial da harpista Mary Lattimore.

O disco não está disponível em stream propositadamente, uma vez que os músicos querem incentivar a compra física e partilhas de experiências reais e humanas.

Suki Waterhouse, Loveland (Island Records)

A cantora e compositora britânica Suki Waterhouse está de volta com Loveland, assumindo aqui as rédeas como produtora executiva. O álbum é muito rico instrumentalmente também por culpa da colaboração de nomes como Aaron Dessner, Joel Little e o lendário Mick Fleetwood na bateria. É um disco por vezes denso mas que brilha nos seus momentos mais minimalistas e confessionais.

MAQUINA., Body Transmission (Sound Of Liberation Records)

O trio lisboeta MAQUINA. inicia um novo capítulo com o seu terceiro longa-duração, Body Transmission, que oferece uma viagem sónica eletrizante e implacável através do noise-rock, ritmos motorik, post-punk e ainda influências da música industrial. O resultado é um registo hipnótico e ideal para pistas de dança obscuras.

Fathers, Fathers (Blue Note)

O coletivo Fathers estreia-se com o seu álbum homónimo. Este supergrupo de produtores e instrumentistas de elite junta o produtor Kenny Beats, o pianista Kiefer, o baixista CARRTOONS e o virtuoso baterista Nate Smith. O quarteto cria uma sonoridade rica em grooves e melodias excitantes e pisca subtilmente o olho à pop-jazz brasileira com uma produção contemporânea e irrepreensível.

Finn Wolfhard, Fire From The Hip (AWAL)

O ator e músico canadiano Finn Wolfhard, conhecido por Stranger Things e pela sua antiga banda Calpurnia, lança hoje Fire From The Hip. O álbum marca o seu amadurecimento artístico, afastando-se do indie rock juvenil em direção a um som mais polido e cru. O trabalho aborda o crescimento sob o olhar público através de letras vulneráveis.

Kelela, New Avatar

Kelela, visionária do alt-R&B, regressa com New Avatar, um disco onde introduz guitarras de shoegaze que chocam com sintetizadores cristalinos e ritmos de house. O álbum aborda de forma frontal o peso social e a vulnerabilidade, e resulta numa obra simultaneamente confrontacional, íntima e também profundamente reflexiva.

Xiu Xiu, ERASERHEAD XIU XIU (Polyvinyl)

O duo experimental norte-americano Xiu Xiu apresenta ERASERHEAD XIU XIU. O álbum reimagina a banda sonora industrial e de pesadelo do filme clássico de 1977 de David Lynch. Eles utilizam sintetizadores modulares, gravações de campo inéditas e edição de música complexa, por forma a preservar o som abrasivo de Lynch e Alan Splet..

Fabienne Delsol, Indigo Red (Damaged Goods Records)

A cantora francesa Fabienne Delsol está de regresso com Indigo Red, o seu quinto álbum a solo. Gravado nos Gizzard Studios por Ed Deegan, o disco navega na sua fusão única de pop nostálgica dos anos 60, estilo yé-yé e psicadelismo clássico. Delsol equilibra composições originais com versões criteriosamente escolhidas de nomes icónicos como Françoise Hardy, Silver Apples e The Count Five. Uma das boas supresas da semana.

Holy Wave, i’m DADA (Suicide Squeeze Records)

Os texanos Holy Wave foram ao México gravar o seu novo i’m DADA. O longa-duração afasta-se do garage rock habitual em direção a uma abordagem mais estruturada, assente em loops hipnóticos, samples e nuvens de sintetizadores. O quarteto envolve-se num cenário cinematográfico e subaquático, moldando atmosferas que refletem sobre a paternidade e a tecnologia.

Pamela., It’s Nice To See You Here EP

It’s Nice To See You Here é o EP de estreia do duo australiano Pamela., sediado em Sydney e composto por Josh Kempen e Sarah Ellen. O registo apresenta um indie pop solar e viciante, talhado para os dias quentes de verão e festivais ao ar livre. O duo apresenta claras influências dos The Strokes, Dope Lemon ou Primal Scream, por exemplo, transformando dores passadas em verdadeiros hinos de esperança.

Ultra Lights, Pleasure’s All Yours

Esta banda é um dos nomes a acompanhar. Ultra Lights estreiam-se com Pleasure’s All Yours, e resgatam a atitude do indie rock e o garage rock sujo do início dos anos 2000. O quarteto de Atlanta, liderado pelo veterano John Robinson, reconecta influências que vão de Pavement e The Replacements aos primeiros discos dos Strokes.

Trophy Wife, Pathetic

O trio nova-iorquino Trophy Wife edita Pathetic, o seu segundo álbum de estúdio, sucedendo à estreia Get Ugly. O registo consolida a sonoridade do grupo no alt-rock e no grunge através duma escrita crua e bastante confessional da vocalista McKenzie Iazzetta. O disco explora, com honestidade, as complexidades do desejo, da intimidade e da psique feminina, fazendo dos Trophy Wife dignos descendentes de PJ Harvey e Fiona Apple.

The Temper Trap, Sungazer

Sungazer marca o regresso dos australianos The Temper Trap que quebram um hiato de dez anos sendo o primeiro álbum de estúdio desde a estreia com Thick As Thieves. O registo mantém as melodias iniciais e o característico falsete de Dougy Mandagi, mas traz como novidade o vocabulário da banda ao incorporar eletrónica, breakbeats e linhas de sintetizador.

Mould, Hoping As A Coping Mechanism (Clatter Records)

Mais uma estreia, desta vez dos MOULD. Eles são um quarteto de Bristol e Hoping As A Coping Mechanism, é o nome do primeiro longa-duração. O disco traduz de forma muito conseguida a energia caótica e contagiante dos seus concertos para o formato de estúdio.

Bruno Berle, Sem Fronteiras (Far Out Recordings)

O cantautor alagoano Bruno Berle apresenta Sem Fronteira, um trabalho que cruza a herança da MPB e da bossa nova com a sensibilidade lo-fi do dream pop e do hip-hop, que o músico esculpe numa espécie de “hiperbossa”. O registo evoca o psicadelismo nordestino e um romantismo assombrador.

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