Alinhados para subir ao Palco Coreto do NOS Alive, na primeira noite da edição de 2026, os Duques do Precariado falaram brevemente connosco para medir o pulso daquilo que sentiam e podiam estar à espera. Numa conversa humorada conduzida por Joana Merlini, João Fragoso e Pedro Mendonça revelaram estar preparados para tudo e para nada mas sobretudo para mostrar o seu novo trabalho “à malta”.
Como é que aconteceu chegarem aqui ao NOS Alive, depois de editarem o vosso álbum Encarnação, e como é que vocês se estão a sentir em relação a isso?
João – Então, isto é mesmo muito grande, eu nunca tinha vindo ao Alive e acho que nunca tinha vindo a um festival desta dimensão, mas pronto, nós estamos aqui num canto pequenino onde nos sentimos bem e é isso. Chegámos aqui porque a Arruada nos convidou, porque acho que gostaram da nossa música e isso é fixe. É fixe tocar aqui num sítio onde passa muita gente que provavelmente nunca ouviu falar de nós, é fixe para mostrar a música à malta, que no fundo, era esse o objetivo. Quando acabámos o disco pensámos ‘bora lá mostrar isto à malta’.
Pedro – E é fixe não fazermos a mínima ideia do que vai acontecer também.
Portanto, o inesperado…
João – É que não faço mesmo a mínima ideia do que pode acontecer.
Tem algumas expetativas?
Pedro – Pá, era fixe haver gente à frente do palco…
Eu vou estar lá…
João – Pronto, espetáculo!
Nem que seja eu!
João – Estamos com medo que passados 15 minutos toda a gente baze porque começa a tocar Nick Cave. Disseram-me que ele era bom.
Pedro – Eu não tenho medo.
Como é que se sentem em relação a isso, ao Nick Cave começar a tocar 15 minutos depois do início do vosso concerto?
João – Acho de mau tom da parte dele (risos)
Pedro – Pá, são festivais e festivais são assim. Nós não decidimos o dia nem decidimos a hora, são situações que são decididas pela organização. Nós estamos contentes por estar aqui e aconteceu. Nós não vamos ver tudo do Nick Cave mas vamos ver um bocadinho.
Eu sei agora que é uma pergunta se calhar um pouco difícil mas do novo álbum têm alguma música que seja preferida?
João – Há uma diferença muito grande entre as versões ao vivo e as versões gravadas. Nas versões gravadas, que eu não tenho tão presente como nas versões ao vivo, porque nós andamos a tocar e eu não ando muito a ouvir o disco, eu gosto muito da “Nunca” e da “Quíria”, na versão gravada. Mas essas músicas nem são as que não tocamos mais. A “Quíria” mais mas nem são as que tocamos mais. Não vamos tocar hoje.
Pedro – Eu gosto muito da “Cobarde”, que vamos tocar hoje, mas fiquei muito desiludida com a forma como ficou no disco.
Desiludido como?
Pedro – Nós gravámos o disco de forma muito artesanal e eu nessa música… o Fragoso toca Braguesa e temos uma gravação de telemóvel desse música, em que ele tocou da forma mais genial que eu vi o Fragoso tocar e eu estava sempre à espera que isso acontecesse no momento de gravação do disco. Mas nem ele, nem eu, cantei muito melhor do que conseguimos fazer na gravação do disco. Mas era, porque, estávamos só a tentar registar e não estávamos preocupados em ficar bem.
Foi um bocado a pressão?
Pedro – Sim a pressão, concentração, há mais coisas à volta. Bom, também tínhamos bebido um bocado ao almoço…
João – Clinicamente, a verdade é que aquilo era mais ou menos improvisado. Essa vez do telemóvel, eu estava com uns copitos, meio cheio de sono e estava a tocar uma coisa qualquer. A verdade é que, depois, nós tentámos sintetizar, replicar, o que é que eu tinha feito nessa gravação mas, nunca chegas lá. E nunca chegámos lá e na verdade ainda bem porque isso é que é Encarnação.










