19 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #34/2026 – Este mês de agosto tem-se revelado um maná de oferta musical e esta sexta-feira não é exceção com mais 19 discos dignos de escuta a serem lançados.

Interpol, This Mirror Weighs a Ton (Partisan)

Oitavo capítulo na discografia dos nova-iorquinos Interpol, This Mirror Weighs a Ton assinala uma notável evolução na sua sonoridade. Produzido por Andrew Wyatt, o registo canaliza a ansiedade e a incerteza dos tempos atuais. A banda apresenta um dinamismo eufórico e apocalíptico numa postura madura e artisticamente renovada.


Prince, Timeless

O espólio de Prince apresenta Timeless, uma compilação póstuma que reúne nove gravações de estúdio e um registo ao vivo, inéditos do já lendário arquivo The Vault. Cobrindo quatro décadas de evolução criativa — desde a estreia em 1977 com “I Am You” até ao comovente “How Come You Don’t Call Me Anymore (Live)” em 2016 —, o alinhamento cronológico revela raridades essenciais. Trata-se do primeiro grande projeto concetual lançado sob a nova gestão do espólio após a libertação total dos arquivos.


Russian Circles, Nine (Sergeant House Records)

Quatro anos após Gnosis, os mestres do post-metal Russian Circles regressam ao ativo com o seu nono registo de estúdio, o cru e direto Nine. O trio de Chicago continua a prescindir de vozes para erguer monumentais paredes de distorção e melodias intrincadas.


Mike D 5D, Thank You (Capitol Records)

O lendário Michael Diamond, mais conhecido por Mike D dos Beastie Boys, lança o seu álbum de estreia a solo, Thank You. O disco é o primeiro corpo de trabalho de um elemento do grupo desde o fim da banda em 2012, algo possível muito graças à ajuda dos seus filhos. O disco equilibra a energia juvenil das suas raízes com reflexões maduras sobre a mortalidade, o luto por Adam Yauch e o legado do trio nova-iorquino.


Ty Segall, Chrome (Drag City)

Sempre prolífico e infatigável, Ty Segall regressa aos discos com Chrome, o seu 19.º álbum de estúdio a solo. Reunindo-se novamente com a The Freedom Band, o músico californiano entrega um dos registos mais pesados e agressivos da sua vasta discografia.


Pulp, Live! (Rough Trade)

Gravado durante duas noites em Londres em 2025, o registo ao vivo Live! capta a mística e o espírito verdadeiramente comunitário dos lendários Pulp. A banda de Sheffield entrega uma performance visceral que rejeita o mero saudosismo e atravessa faixas épicas como “This Is Hardcore” e “Sunrise” ao lado de hinos como “Disco 2000” e “Common People”. O grupo celebra a sua triunfante ligação com os adeptos da boa música.


Jim James, Wowed Out (ATO)

Jim James, carismático vocalista dos My Morning Jacket, regressa com Wowed Out, o seu primeiro trabalho a solo em oito anos. O disco foi resgatado das cinzas de duas bandas sonoras abandonadas por serem “demasiado fora do comum” e aborda o impacto da era digital, a ansiedade das redes sociais e o ruído informativo. James oferece um refúgio acolhedor e humanista que apela à desconexão e à gentileza.


Dinosaur Jr., There Near (Jagjaguwar)

Os Dinosaur Jr. regressam com There Near, um disco que mantém a sonoridade orgânica e calorosa da sua fase moderna. O trio liderado por J Mascis reafirma o vigor inabalável da banda com um disco consistente e que não desilude os seus seguidores.


Alabama Shakes, I Must Be Dreaming (Island)

Onze anos após Sound & Color, os Alabama Shakes regressam com I Must Be Dreaming, um registo onde a soul psicadélica e o rock de contornos sonhadores servem de alicerce a um forte contraste temático. Faixas como “Easy” destacam a voz inconfundível de Brittany Howard, mas também reafirmam o equilíbrio perfeito da banda entre vulnerabilidade, protesto e maturidade musical.


Sera Cahoone, I’ve Missed You All These Years (Sub Pop)

Oito anos após o seu último registo, a cantautora americana Sera Cahoone regressa com o luminoso I’ve Missed You All These Years. Moldado pelo luto profundo e pela superação, o seu sexto álbum de estúdio é uma celebração da vida, da comunidade e do reencontro pessoal após a tempestade.


Erykah Badu & The Alchemist, Before The World Blows (Control FREAQ Records)

A rainha do neo-soul Erykah Badu une-se ao aclamado produtor The Alchemist em Before The World Blows, o seu primeiro álbum de estúdio em 16 anos. O disco transforma o atribulado aditamento do seu lançamento numa meditação sobre o tempo, a ansiedade moderna e as dinâmicas sociais e tudo isto com as colaborações de DJ Quik, Steve Lacy, Jay Electronica e ainda Kamasi Washington.


Allah-Las, Sirenas (Calico Discos)

O quarteto californiano de psych-pop Allah-Las regressa com Sirenas, o seu sexto álbum de estúdio. Totalmente instrumental, o registo de dez faixas nasce da improvisação pura e da libertação criativa da banda. O grupo afasta-se de estruturas convencionais num trabalho abstrato, quente e que celebra a própria alegria de criar.


Turnstile, Never Enough: Versions (Warner)

Os Turnstile lançam o reinventado álbum de 2025, Never Enough, com o projeto Never Enough: Versions. O registo reúne um elenco extraordinário e eclético de colaboradores, incluindo Elton John, Hayley Williams, Four Tet, A.G. Cook, Slayyyter e Dying Fetus, para desconstruir e reimaginar as faixas do disco original.


Kam Franklin, Land Of The Neon Sun

A cantora e ativista Kam Franklin assina o seu primeiro longa-duração a solo com o radiante Land of the Neon Sun. Co-produzido ao lado de Margo Price, o registo de 12 faixas cruza a força da Americana tradicional com uma vibrante experimentação sonora. Ao libertar-se de expetativas externas, Franklin assume a voz total da sua visão artística, aliando vulnerabilidade e individualidade num trabalho festivo e politicamente consciente.


The Jayhawks, Sanctuary Park

Veteranos incontornáveis da Americana com mais de quatro décadas de carreira, os The Jayhawks regressam em pleno com o excelente Sanctuary Park. O grupo de Minnesota aposta nas suas maiores qualidades: melodias luminosas, contagiantes harmonias vocais e uma escrita envolvente sobre o tempo e os relacionamentos.


Stanley Simmons, Dancing While The World Is Ending

Evan Stanley e Nick Simmons, filhos de Paul Stanley e Gene Simmons dos KISS, cresceram juntos nos bastidores de estúdios e digressões dos pais mas nunca lhes passou pela cabeça juntarem forças para criar um projeto musical juntos. Fruto do acaso, acabaram por trabalhar em estúdio há cerca de 2 anos e a química foi total. O resultado agora é STANLEY SIMMONS a apresentar o disco de estreia Dancing While The World Is Ending. O álbum afasta-se do peso dos seus progenitores para focar numa sonoridade orgânica, guiada pela harmonização vocal e pelo storytelling e surpreende.


Billy Strings, So Much For Goodbyes

Billy Strings apresenta o seu introspetivo sexto álbum de estúdio, So Much for Goodbyes. Profundamente marcado pela trágica morte da sua mãe em 2025, o registo afasta-se momentaneamente das longas jams psicadélicas para se focar na dor, na memória e no luto. Strings entrega uma obra emotiva e de uma beleza dolorosa.


Wine Lips, TV Dinner (Stomp Records)

O quarteto canadiano Wine Lips edita hoje o seu novo álbum, TV Dinner, um trabalho composto por 13 faixas e que canaliza a intensidade acumulada em digressões incessantes. Ao colidir punk rock, garage e psicadelismo num turbilhão eletrizante, a banda opta por uma abordagem visceral e orgânica, mantendo imperfeições na mistura e assinalando a estreia da baixista Aurora Evans na voz principal em temas de puro dinamismo.


John Vanderslice, Focus

Arquiteto do som indie dos anos 2000, John Vanderslice surpreende ao reaproximar-se do formato canção no seu novo álbum, FOCUS. Após uma década dedicado à eletrónica abstrata e experimental, Vanderslice regressa à emoção da voz, às violas acústicas e aos sintetizadores zumbidores. O disco, com letras escritas em grande parte pela sua esposa, Maria Vanderslice, equilibra a nostalgia com o espírito exploratório e vanguardista.

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