Originários de Manchester, os Westside Cowboy emergiram na cena britânica com uma premência e impacto que só os grandes nomes do rock conseguem provocar. O jovem quarteto, formado por Reuben Haycocks, Jimmy Bradbury, Paddy Murphy e Aoife Anson O’Connell, e todos na casa dos vinte anos, já vinha a dar que falar com registos como o EP So Much Country ‘Til We Get There e também a acompanhar os Geese em digressões europeias. Agora, com o lançamento do seu aguardado disco de estreia, It Goes On, a banda não só responde às elevadas expetativas como se afirma como uma das forças mais revigorantes e autênticas da nova vaga da música de guitarras.
O álbum chega unindo as raízes do trad-folk britânico à energia vehemente do garage rock, criando aquilo que muitos definem como uma espécie de “transe britanico”. Logo a abrir, “Kick Stones (The Boys)” funciona como um cartão de visita avassalador, misturando ritmos motorizados, guitarradas elétricas brilhantes e ainda vozes sobrepostas num crescendo arrepiante. Temas como “Big Wheels” mostram a destreza da banda em reinterpretar influências clássicas de ícones como Bob Dylan e Tina Turner, enquanto faixas como “Pin Up Boys” e “Dobro” exibem uma atitude glam e um ataque de guitarras implacável.
No entanto, se destacarmos o maior virtuosismo de It Goes On não podemos deixar de apontar a dinâmica coletiva e o contraste emocional do alinhamento. A alternância e a conjugação entre as vozes dos quatro membros, visível no dueto marcante de “Worried Age” entre Haycocks e O’Connell, provocam uma densidade única ao trabalho. Além da vertigem acelerada, o grupo sabe abrandar em momentos mais despidos e melancólicos como “Coyote”, “Patchwork” e a contemplativa “Take My Leaving As I Love You”, mostrando assim que a sua intensidade não depende apenas do volume, mas sim da profundidade da sua entrega.
Terminando em apoteose com “You Could Have Died There On The Dancefloor”, It Goes On é o som de uma banda em perfeita sintonia a reinventar o formato de quarteto de rock. Num panorama frequentemente dominado por fórmulas repetitivas, os Westside Cowboy entregam uma obra coesa, expansiva e cheia de vida que ultrapassa qualquer expetativa inicial, carimbando com distinção um dos alinhamentos mais brilhantes do ano.











