CRÍTICAS

Um dos anos mais fortes para o Óscar de Filme Internacional
Os cinco nomeados deste ano atravessam geografias e temas muito distintos — da memória política no Brasil ao retrato íntimo de uma família norueguesa, passando por histórias sobre guerra, violência e identidade. Este é um dos melhores lotes dos últimos anos.

Cinco formas de filmar a realidade: os documentários nomeados aos Óscares
Num ano em que o documentário continua a lutar por espaço entre plataformas e salas de cinema, os nomeados para o Óscar mostram que a não-ficção ainda consegue olhar para o mundo com ambição e diversidade.

“Pillion”: O amor como negociação
Uma comédia romântica fora do comum que mistura ternura, dominadores de couro e a eterna pergunta: afinal quem manda em quem?

“Mr. Nobody Against Putin”: A escola como linha da frente
Filmado clandestinamente entre 2022 e 2024, este documentário regista a transformação de uma escola russa num instrumento direto de propaganda estatal após a invasão da Ucrânia. Está na corrida aos Óscares para Melhor Documentário.

“Is This Thing On?”: Entre o divórcio e o stand-up
No seu terceiro filme como realizador, Bradley Cooper afasta-se do protagonismo e entrega a história a Will Arnett e Laura Dern. O resultado é um retrato de divórcio, reinvenção e da tentativa de encontrar uma nova voz quando a vida muda de direção.

“A Knight of the Seven Kingdoms”: a história de um herói improvável
Durante anos, o mundo de Game of Thrones era feito de reis, profecias e destinos inevitáveis. Esta série aparece para lembrar que a maioria das pessoas só está a tentar chegar ao dia seguinte sem morrer.

“Blue Moon”: Ninguém quer ser a metade esquecida de uma canção famosa
Toda a gente gosta de celebrar as grandes duplas, mas raramente se fala do momento em que deixam de funcionar. Este filme instala-se exatamente aí, no silêncio que vem depois da última colaboração. Com um Ethan Hawke em estado de graça.

“If I Had Legs I’d Kick You”: Se tivesse pernas, provavelmente também fugia
Rose Byrne passa o filme inteiro a tentar manter o controlo. Como psicóloga, como mãe, como pessoa funcional. O problema não é um grande acontecimento, mas a acumulação de pequenas falhas. O filme observa esse processo sem oferecer saídas fáceis.

“Wuthering Heights”: o clássico em combustão estética
Há histórias que sobrevivem intactas ao tempo. E há outras que só fazem sentido quando alguém tem a coragem de as partir e ver o que ainda sangra. Este Wuthering Heights não quer ser fiel — quer ser verdadeiro, mesmo que isso implique perder-se no nevoeiro emocional que o próprio criou.

“The Voice of Hind Rajab”: ouvir até ao desconforto total
Nomeado para Melhor Filme Internacional, tornou-se uma das grandes sensações do ano: não por recorrer ao choque gratuito, mas precisamente pelo contrário: pela contenção e pelo peso ético daquilo que escolhe mostrar — e, sobretudo, fazer ouvir.

Hamnet: de obra infilmável a fenómeno emocional
Sai-se da sala devagar, como quem acabou de assistir a um velório coletivo. Há gente de olhos vermelhos, gente em silêncio absoluto e que não consegue comentar o que acabou de ver. Hamnet provoca esse efeito raro, e é um dos filmes mais nomeados do ano.

“Sentimental Value”, ou como o passado nunca fica arrumado
Estreado em competição em Cannes e rapidamente apontado como um dos filmes do ano, Sentimental Value chega aos Óscares com nove nomeações e um consenso raro em torno do cinema de Joachim Trier, cada vez mais confortável entre o circuito europeu e a temporada de prémios americana.