No passado dia 1 de maio, aproveitando a carga simbólica do Dia do Trabalhador, PZ revelou o seu mais recente single, “Mil Euros Por Mês”. A faixa conta com a colaboração de peso dos históricos Mão Morta, marcando uma viragem temática no percurso recente do músico. Se o projeto Álbum de Família começou por explorar a intimidade doméstica em duetos com Samuel Úria ou Joana Espadinha, este novo capítulo foca-se na urgência social e na sobrevivência económica.
A canção estrutura-se em torno de um refrão hipnótico e obsessivo que serve de espelho à realidade portuguesa. Num cenário onde o custo de vida escala e o salário mínimo tenta, sem sucesso, acompanhar a inflação, o desejo de receber mil euros líquidos torna-se um mantra irónico. A composição transforma uma necessidade básica numa sátira mordaz sobre a dignidade do trabalho no Portugal contemporâneo.
A presença dos Mão Morta eleva o tom político da composição. Adolfo Luxúria Canibal entrega uma colaboração incisiva, injetando o tema com a crueza e a provocação intelectual que define a banda de Braga.
“Mil Euros Por Mês” funciona como um retrato geracional de um sistema em desequilíbrio. Ao cruzar o universo lúdico de PZ com o ativismo estético dos Mão Morta, o single afirma-se como um dos gestos mais frontais da música portuguesa este ano.











