14 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #19/2026 – Caminhando a passos largos para o meio do ano, temos mais 14 álbuns, entre LPs e EPs, que estreiam hoje, de Kevin Morby a Peter Farmpton.

Kevin Morby, Little Wide Open (Dead Oceans)

Kevin Morby encerra a sua trilogia do Midwest com Little Wide Open, o oitavo álbum de estúdio e o seu trabalho mais direto e poético até à data. Como sucessor de Sundowner e This Is a Photograph, o disco funciona como uma carta de amor à vasta paisagem da América central. É um registo de uma simplicidade magistral que celebra a beleza encontrada no isolamento e na introspeção geográfica.


Rostam, American Stories (Matsor Projects)

Rostam Batmanglij assina, em American Stories, o seu trabalho mais ambicioso ao fundir a folk americana com as suas raízes iranianas. O terceiro álbum do antigo membro dos Vampire Weekend explora a identidade através de uma “união entre Oriente e Ocidente”, onde bandolins coexistem com cordas que evocam o setar. É um registo de reflexão sobre quem pode ser americano, culminando numa nota de protesto subtil mas pungente sobre a fragilidade humana.


Peter Frampton, Carry The Light (UMG Recordings)

Dezasseis anos após o seu último álbum de originais, Peter Frampton regressa com Carry The Light, um projeto profundamente pessoal coescrito e produzido com o seu filho, Julian Frampton. O disco surge como um triunfo da resiliência, gravado enquanto o lendário guitarrista continua a lidar com a miosite por corpos de inclusão (IBM). Entre colaborações com Graham Nash, Sheryl Crow e Tom Morello, destaca-se “Buried Treasure”, uma homenagem a Tom Petty com Benmont Tench.


Dua Saleh, Of Earth & Wires (Ghostly International)

Dua Saleh lança Of Earth & Wires, aquele o que poderá ser um dos registos mais representativos de 2026, explorando a ferida do mundo natural face ao avanço tecnológico. O álbum conta com colaborações cruciais de Bon Iver, cujo tom quase evangélico contrasta com as bases densas e obscuras. É uma obra multifacetada que oferece uma declaração canónica de esperança.


Soma Please, ballet EP

O projeto luso-britânico Soma Please, formado por Nuno Bracourt e Rob Williamson, apresenta o seu EP de estreia, ballet, consolidando a atenção já conquistada na BBC Radio. O disco é um exercício de contrastes equilibrados, onde a dupla navega entre sintetizadores etéreos e ritmos obsessivos em temas como “Pockets On My Sleeves”, e a delicadeza de guitarras acústicas e cordas em “Love” e “Alone”.


Telehealth, Green World Image (Sub Pop)

Os Telehealth estreiam-se na Sub Pop com Green World Image, o segundo longa-duração que mistura o mal-estar millennial com o synthpunk dos anos 80 e uma sátira corporativa mordaz. A banda de Seattle procura um mundo financeirizado ao extremo em temas como “Villain Era” que ridicularizam a linguagem das redes sociais e “Cost of Inaction” que apresenta um pós-punk dançável e ansioso.


Genesis Owusu, Redstar Wu & The Worldwide Scourge (

Genesis Owusu é um visionário dos tempos modernos e com Redstar Wu & The Worldwide Scourge, o seu terceiro álbum, abandona o simbolismo denso de outrora e confronta o “planeta Terra na década de 2020”. O artista ganês-australiano movimenta-se no punk agressivo e neo-soul e hip-hop em temas de resistência como “Pirate Radio” e “Death Cult Zombie”. Owusu ataca desigualdades globais com fúria justiceira e com declarações políticas contundentes sobre Gaza e o colapso social.


Towa Bird, Gentlemen (Interscope)

Towa Bird consolida a sua ascensão com Gentlemen, um álbum que transborda a energia crua e a perícia técnica que a tornaram uma sensação da guitarra moderna. Neste trabalho, a artista nascida em Hong Kong e radicada em Londres cozinha o espírito do rock clássico com uma sensibilidade pop contemporânea, e abordando temas de identidade e desejo.


Kelley Stoltz, If You Don’t Know Me Buy Now (Dandy Boy / Agitated)

Lenda do underground de São Francisco, Kelley Stoltz está de regresso com If You Don’t Know Me Buy Now, o seu 19.º álbum e mais uma prova da sua fonte inesgotável de criatividade. O título, um trocadilho infame, esconde uma coleção de faixas sofisticada que percorre o melhor da pop dos anos 60, o glam de “Queen of Diamonds” e o nervosismo dos anos 80.


Shakey Graves, Fondness, Etc. (Secret Identity / Dualtone Records)

Shakey Graves regressa com Fondness, Etc., um álbum que faz lembrar a estética das produções pop dos anos 50 de Roy Orbison, mas filtrada com uma sensibilidade contemporânea e de certa forma artesanal. O novo trabalho sucede a Movie of the Week de 2023 e segundo o próprio, tenta “capturar a nostalgia em tempo real”.


Jeff Parker ETA Ivtet, Happy Today (International Anthem/Nonesuch)

O guitarrista Jeff Parker apresenta Happy Today, o terceiro álbum do seu ETA IVtet, que captura um raro momento de luz após um ano marcado por instabilidade pessoal e política. Gravado ao vivo no Lodge Room em Los Angeles, o disco mantém a formação com Jay Bellerose, Anna Butterss e Josh Johnson. Explora improvisações minimalistas em duas peças extensas e utiliza tecnologia analógica para registar a atuação, com Parker a transformar o trauma dos incêndios de 2025 numa celebração de resiliência e comunidade.


Goldfish Kaseem, For a Bryter Future (Morbid and Miserable)

Diretamente de Lisboa, os Goldfish Kaseem estreiam-se com o longa-duração For A Bryter Future, um disco que condensa fuzz, psicadelismo e um caos meticulosamente orquestrado. Ao longo de sete faixas, a banda mergulha numa sonoridade que oscila entre o misticismo orgânico e a força bruta do stoner rock. É um trabalho de “caos melódico” que desafia o senso comum.


Smerz, Easy EP (Escho)

O duo norueguês Smerz apresenta Easy, um EP que funciona como uma (con)sequência inspirada no desfecho do seu álbum de 2025, Big city life. Catharina Stoltenberg e Henriette Motzfeldt exploram sentimentos sem forma que dominam a arte da brevidade.


The Gnomes,  More EP (Goblin Records)

Apenas seis meses após o lançamento do seu álbum de estreia, os The Gnomes estão aí de novo com More, um EP que injeta ainda mais adrenalina ao seu som garage rock primitivo. A banda de Melbourne afasta-se das compilações psicadélicas habituais para beber diretamente da primeira vaga da “Invasão Britânica”, evocando o espírito de The Beatles, The Kinks e The Creation.

Partilha

TAGS