Alex Edkins, líder dos METZ, banda de noise-punk canadiana, ganhou uma nova vida quando o trio decidiu entrar num hiato por tempo indeterminado. O lado positivo destas separações é que permite aos músicos explorar outras paisagens sonoras e, mais frequentemente do que seria de esperar, o resultado pode ser ainda mais interessante.
Para Edkins esse momento agridoce revelou-se uma benção para o seu projeto paralelo, a solo, que dá pelo nome de Weird Nightmare. Editado no primeiro dia deste maio, pela mítica Sub Pop, Hoopla é o segundo longa-duração do músico e marca uma despedida definitiva das paisagens sonoras abrasivas e extremas do seu passado. Aqui, Edkins abraça sem reservas o otimismo, a melodia do pop dos anos 60 e uma energia de “power pop” que brilha com uma clareza e produção muito superiores à estreia de 2022.
Hoopla tem pouco a ver com o cardápio METZ. Edkins surge aqui como um compositor em plena expansão, bebendo da simplicidade de bandas como os The Replacements ou The Undertones. O álbum é uma sucessão de canções económicas e diretas, como a vibrante “Might See You There”, que em apenas dois minutos utiliza uma fórmula pop infalível que nos entra diretamente para o prazer sónico.
A escrita de Edkins fala da vulnerabilidade e do quotidiano. Em “Pay No Mind”, o músico brinca com a ideia de estar tão falido que nem consegue “prestar atenção”, expondo a tentação de procurar distracções num mundo opressivo. “Forever Elsewhere”, por outro lado, transborda esperança, mas “Bright City Lights” (com a participação de Julianna Riolino) evoca a nostalgia das rádios universitárias dos anos 90. E depois, na delicada e mais contida “If You Should Turn Away”, revela-nos um cuidado artesanal, com solos de guitarra inspirados nos Shadows e linhas de baixo que mostram um músico confortável em explorar novos terrenos.
Em jeito de resumo, Hoopla é o melhor trabalho de Weird Nightmare até à data, melhor que o primeiro disco, portanto. Alex Edkins consegue engarrafar um entusiasmo e uma leveza de quem se está a divertir genuinamente num estúdio, misturando influências referidas anteriormente. É um álbum fácil de gostar (o que não é fácil de fazer) e que prova que Edkins não precisa de distorção extrema para captar a nossa atenção. A perfeição pop assenta-lhe que nem uma luva.












