Num ambiente de grande proximidade com o público e com uma comunidade de fãs cada vez maior, o Expresso Transatlântico deu dois concertos com casa cheia e uma energia contagiante – sempre a puxar pela plateia, entre momentos de celebração coletiva e reflexões sobre a atualidade.
As duas noites refletiram o espírito que atravessa Trópico Paranóia: um retrato do caminho que o grupo tem vindo a construir, feito das experiências, lugares e encontros que foram moldando a sua identidade artística. Mais do que a apresentação de um novo capítulo discográfico, os concertos afirmaram-se como um espaço de partilha, onde a música voltou a evidenciar a força da mistura de culturas, da diversidade e da criação como território de encontro, conhecimento e afirmação cultural, com consciência do tempo presente.
Em palco, a banda reuniu o universo criativo que deu forma ao disco, assinalando também o contributo das várias pessoas que participaram no processo, entre elas o produtor Paulo Furtado e os músicos Zé Cruz e Tiago Martins.
Do mais introspetivo single “Avalanche” ao apoteótico “Não Pares Povo”, um alinhamento de luxo: temas que orbitam entre a pulsação rítmica e melodias complexas, mas familiares. São músicas que nos fazem sonhar com os pés bem assentes na terra e de mangas arregaçadas para o que der e vier.
* fotografia de Estelle Valente











