13 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #21/2026 – Estamos quase a meio do ano e em mais uma sexta-feira apresentamos as nossas melhores sugestões para os novos discos, acabadinhos de serem lançados.

Paul McCartney, The Boys Of Dungeon Lane (Capitol Records)

Paul McCartney assina em The Boys of Dungeon Lane, o seu vigésimo álbum a solo, uma viagem no tempo moldada por guitarras acústicas e cassetes envelhecidas. O lendário músico recupera as memórias da sua juventude em Liverpool antes da Beatlemania, transformando a fragilidade atual da sua voz num trunfo emocional. McCartney recorda o seu amigo John Lennon na melancolia acústica de “Days We Left Behind” e reúne com Ringo Starr em “Home to Us”, o primeiro dueto deles de sempre.


Kurt Vile, Philadelphia’s Been Good to Me (Verve Records)

Kurt Vile apresenta o seu décimo longa-duração, Philadelphia’s Been Good to Me, um registo onde o músico de 46 anos assume o seu estatuto de veterano do indie rock sem qualquer pretensiosismo. Mantendo a sua imagem de filósofo descontraído, Vile entrega um conjunto de canções fluidas, poéticas e tipicamente descomprometidas, abrindo o disco a sussurrar reflexões sobre o seu percurso.


The Bug Club, Every Single Muscle (Sub Pop)

O duo galês The Bug Club regressa com Every Single Muscle, um disco robusto e divertido que a própria banda promove como a sua abordagem ao terror corporal. Sam Willmett e Tilly Harris disparam dezoito faixas de um garage rock enérgico e veloz, como sonoridades que lembram os Sparks em “Cut to Black” ou os Minutemen em “Full Range of Motion”.


Greg Mendez, Beauty Land (Dead Oceans)

O cantautor Greg Mendez regressa com Beauty Land, um álbum que equilibra a crueza lírica com uma sensibilidade melódica invulgar, orgulhosamente descendente dum Elliott Smith. Através de crónicas agridoces sobre recaídas, reabilitação e assaltos urbanos, o músico norte-americano envolve temas densos em arranjos acústicos luminosos e refrões em falsete. É um registo terno e profundamente autêntico.


Iceage, For Love of Grace & the Hereafter (Mexican Summer)

Os dinamarqueses Iceage voltam com For Love of Grace & the Hereafter, o seu sexto álbum de estúdio, anunciado como um retorno aos princípios estéticos do punk. Mais de uma década após a estreia na adolescência, o quinteto liderado por Elias Rønnenfelt afasta-se dos arranjos gospel e orquestrais do registo anterior e abraça uma sonoridade mais visceral e direta. Fortíssimo.


Guided By Voices, Crawlspace Of The Pantheon (GBV Inc)

Os Guided By Voices apresentam Crawlspace Of The Pantheon, o impressionante 43.º álbum de estúdio da histórica formação norte-americana. Gravado em estúdio apesar da distância geográfica entre os membros, o registo mantém o nível de excelência do antecessor, com o líder Robert Pollard a destacar uma performance instrumental coesa e enérgica.


Boards of Canada, Inferno (Warp)

Após treze anos de silêncio, os canadianos Boards of Canada regressam com Inferno, um longa-duração surpreendentemente nítido, limpo e orgânico. A dupla de música eletrónica aposta agora numa abordagem quase analógica e de banda ao vivo, onde o ritmo é ditado por guitarras proeminentes e baterias de precisão milimétrica.


Vilagerrr, Carousel (Winspear)

Sob o pseudónimo villagerrr, o cantautor Mark Allen Scott apresenta Carousel, o seu quinto álbum de estúdio. O músico do Ohio funde a intimidade do slowcore e do folk rústico com camadas enevoadas de shoegaze e momentos de rock expansivo. Escrito ao longo de dois anos e enriquecido com as colaborações de Boone Patrello (Teethe) e Carolina Chau (Hemlock), o disco reflete sobre a criação artística na era da superexposição.


Parque Império, Horror Importa-se EP

Os portuenses Parque Império apresentam o EP Horror Importa-se, um trabalho que consolida a vertente mais sombria, direta e intensa da banda. A banda constrói uma atmosfera de constante tensão e excesso emocional em que o single de avanço “Raio ou Canto Libertino” serve de excelente cartão de visita. É um registo de resistência íntima e confronto interior.


Dogstar, All In Now (Rough Trade)

Os Dogstar (a inevitável “banda de Keanu Reeves”) estão de regresso com All In Now, o seu quarto álbum de estúdio. Sob a produção de Nick Launay, a banda californiana capitaliza a energia e a cumplicidade resgatadas na digressão mundial do registo de regresso de 2023. O resultado é um conjunto de canções unificadas e seguras que combinam a urgência do post-punk com as gitarradas do rock alternativo.


Violet Grohl, Be Sweet To Me

Se os Dogstar são inevitavelmente a banda de Keanu Reeves, Violet Grohl é, inevitavelmente, “a filha de Dave Grohl“, um legado que traz uma certa pressão. Na sua estreia, com este Be Sweet To Me, Violet apresenta-nos um registo curto e incisivo que transborda uma atitude descomprometida e magnética, despretensiosa do seu apelido. Sob a produção de Kim Gordon e Justin Raisen, Violet desenha um universo sonoro próprio, fortemente inspirado no grunge dos anos 90, nos The Breeders e no surrealismo de David Lynch.


Avishai Cohen, Eternal Child (Naïve Records)

O contrabaixista Avishai Cohen regressa ao formato de trio jazz com Eternal Child, um longa-duração caloroso e focado no ritmo. O músico, apresenta-se acompanhado pelo pianista Itay Simhovich e pelo baterista Eviatar Slivnik, e demonstra uma química imediata que se expande com a presença convidada do baterista Jeff Ballard. Ao longo de dez composições de cariz muito pessoal, o álbum equilibra a sofisticação harmónica com um instinto natural para o groove.


Turnover, Down on Earth (edição independente)

Os Turnover regressam com Down on Earth, o seu primeiro lançamento independente e um testemunho da sua impressionante evolução. O quarteto da Virgínia aposta numa abordagem orgânica e intimista onde misturam o dream-pop com um psicadelismo subtil, privilegiando a profundidade espacial e a interação humana em estúdio.

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