Produzido entre Jordânia, Palestina, Suécia e Arábia Saudita, Farha estreou mundialmente no 46.º Toronto International Film Festival e tornou-se um dos filmes palestinianos contemporâneos de maior reconhecimento internacional. Em 2023, foi a entrada oficial da Jordânia para a categoria de Melhor Filme Internacional da 95.ª edição dos Academy Awards, acumulando distinções em festivais internacionais, entre as quais o prémio de Melhor Filme Jovem nos 15.º Asia Pacific Screen Awards — a primeira vitória histórica da Jordânia nesta competição.
Inspirado em factos verídicos, o filme acompanha Farha, uma rapariga de 14 anos que vive numa aldeia palestiniana em 1948 e sonha continuar os estudos na cidade, contrariando expectativas sociais e limitações impostas às raparigas do seu tempo. Quando a violência se aproxima da aldeia e a realidade política se impõe brutalmente, o pai decide escondê-la num pequeno armazém junto à casa, prometendo regressar. Mas nunca volta.
Confinada a um espaço escuro e isolado, com apenas pequenas frestas que a ligam ao exterior, Farha testemunha acontecimentos que transformam irreversivelmente a sua perceção do mundo e aceleram a passagem da infância para a sobrevivência. O filme constrói, assim, uma narrativa profundamente humana sobre identidade, deslocamento e perda, abordando a Nakba não através do discurso histórico abstrato, mas da experiência concreta de uma jovem obrigada a crescer perante a violência e a separação.
Realizado e escrito por Darin J. Sallam, cineasta premiada de raízes palestinianas e distinguida com a Ordem de Excelência do Rei Abdullah II da Jordânia, Farha é a sua primeira longa-metragem. A realizadora, formada pelo Red Sea Institute for Cinematic Arts e reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho em curtas-metragens premiadas, foi destacada pela Variety entre as mulheres internacionais mais influentes de 2023 e recebeu o Storyteller Award do Institute of Middle East Understanding pelo impacto do filme.
Com interpretação central de Karam Taher, acompanhada por Ashraf Barhom, Ali Suleiman e outros nomes do cinema árabe contemporâneo, Farha afirma-se como uma obra de forte dimensão emocional e política, premiada em festivais como o Asia Pacific Screen Awards, o Casablanca Arab Film Festival e o Malmö Arab Film Festival.
A sessão de Farha é organizada pela Don’t Skip Humanity e integra a programação contínua da Casa Palestina, a primeira casa cultural palestiniana em Portugal e a segunda da Europa, criada como espaço de encontro entre criação artística, pensamento crítico e memória coletiva palestiniana. Através de cinema, música, conversas e outras iniciativas culturais, a Casa Palestina continua a afirmar-se como um lugar de escuta e partilha, onde a cultura palestiniana pode ser experienciada e debatida nos seus próprios termos.
A sessão contará ainda com uma mensagem gravada em exclusivo pela realizadora Darin J. Sallam para os visitantes da Casa Palestina, criando um momento adicional de proximidade com o público.












