Bleachers, everyone for ten minutes (Dirty Hit)
Os Bleachers regressam com everyone for ten minutes, um dos trabalhos mais coesos e interessantes da carreira de Jack Antonoff. Afastando-se momentaneamente dos holofotes como produtor de superestrelas, Antonoff arrisca-se em novs territórios ao injetar toques de folk em faixas como “we should talk”, sem perder o habitual fulgor synth-pop e alt-rock.
Moses Sumney & Joseph Shirley, Is God Is OST
Moses Sumney estreia-se no universo das bandas sonoras em colaboração com o compositor Joseph Shirley para Is God Is, a longa-metragem de Aleshea Harris. O álbum traduz musicalmente a fusão de gótico sulista, tragédia grega e thriller moderno que caracteriza o filme. Um dos grandes destaques é “Sins of the Father”, uma parceria com a cantora-compositora Kara Jackson.
Alela Diane, Who’s Keeping Time? (Loose Music)
A cantora-compositora Alela Diane apresenta Who’s Keeping Time?, o seu sétimo álbum de estúdio. Gravado no sótão da sua casa vitoriana de 1892, o disco nasceu de uma rotina de quietude e da colaboração com músicos locais como Peter Lalish e Anna Tivel. As onze faixas equilibram a consciência da passagem do tempo com a celebração da existência.
Bill Orcutt & Mabe Fratti, Almost Waking (Unheard of Hope)
O veterano da guitarra Bill Orcutt e a violoncelista guatemalteca Mabe Fratti juntaram-se para o disco Almost Waking, uma colaboração que transborda uma química invulgar e alguma complexidade. O registo centra-se em duetos conversacionais onde o estilo de quatro cordas de Orcutt encontra o arco fragmentado e agitado de Fratti, como se pode ouvir no tenso “Forced & Forced & Forced”. É um encontro vivo, íntimo e profundamente original de duas gerações da música experimental.
Ed O’Brien, Blue Morpho (Transgressive Records)
Ed O’Brien assume a sua própria voz em Blue Morpho, o primeiro álbum assinado em nome próprio após abandonar o pseudónimo EOB. O guitarrista dos Radiohead afasta-se do som habitual da sua banda de sempre para abraçar sonoridades mais abertas e meditativas, inspiradas no psicadelismo folk e no trip-hop. O disco conta com colaborações de Shabaka Hutchings e da Orquestra de Câmara de Tallinn e foi roduzido por Paul Epworth e Riley MacIntyre.
Future Islands, From a Hole in the Floor to a Fountain of Youth (4AD)
Para assinalar duas décadas de carreira, os Future Islands escolheram evitar o caminho óbvio da coletânea de sucessos e apresentam antes, From a Hole in the Floor to a Fountain of Youth. Este duplo LP reúne vinte raridades, versões alternativas e temas aclamados pelos fãs, metade dos quais estreiam-se agora nas plataformas de streaming. A colectânea foi organizada pelo baixista William Cashion.
aja monet, the color of rain (drink sum wtr)
A poetisa aja monet regressa com The color of rain, um segundo longa-duração mais… longo e relaxado que a sua estreia. Ancorado pela bateria meticulosa de Justin Brown e pela harpa de Brandee Younger, o disco navega entre o ativismo feroz e uma intimidade vulnerável. Enquanto “for the Congo” ataca instituições financeiras globais e regimes militares sobre uma percussão hostil, “skinfolk” (com Mereba) transforma-se num hino terno à negritude. Como seria de esperar, é uma obra de escuta atenta, despida de superficialidades e repleta de ritmo.
Thomas Dollbaum, Birds of Paradise (Dear Life Records)
O cantautor e poeta Thomas Dollbaum lança hoje Birds of Paradise, um registo gravado em Oxford, Mississippi, sob a produção de Clay Jones. O músico injeta uma eletricidade revigorante no seu som, aproximando-se do heartland rock dinâmico de uns veteranos My Morning Jacket. Dollbaum, acompanhado por MJ Lenderman e o guitarrista Josh Halper, equilibra na perfeição a narrativa literária refinada com a força imediata dos palcos.
Annie Taylor, Out of Scale
O quarteto liderado por Gini Jungi lança Out of Scale. O grupo suíço assina um registo de punk mid-tempo sólido e uniforme, manuseando os ingredientes mais comuns do género, ou seja, batidas diretas, guitarras descontraídas e vozes rasgadas. Contudo, o disco brilha um pouco mais quando se liberta do tom regulamentar e arrisca, seja através do riff de surf-rock em “The Cure” ou do ruído em “Overload”.
The Coral, 388
Os The Coral lançaram de surpresa o seu novo disco 388, o seu décimo terceiro de estúdio. Sempre distantes dos clichés do indie rock tradicional, os britânicos percorrem novoas sonoridades psicadélica mas agora com incorporações e influências do rocksteady jamaicano e do jazz etíope. A abertura com “Let The Music Play” introduz o registo com um ritmo contagiante tingido de ska e uma excelente prestação vocal de James Skelly.
Exclusive Os Cabides, Feliz e triste ao mesmo tempo EP
Os brasileiros Exclusive Os Cabides regressam com Feliz e triste ao mesmo tempo, um EP de sete faixas gerado sob a brisa costeira de Florianópolis. Após um ano intenso de digressão com o disco Coisas Estranhas, a banda procurou traduzir essa energia da estrada para o estúdio. Gravado ao vivo no estúdio ouié com produção de Paulo Costa Franco, o registo preserva a crueza orgânica do rock de garagem.
The Early Years, Modern Moonlight
Após uma década de silêncio, os The Early Years voltaram com um novo disco, Modern Moonlight, o seu terceiro longa-duração em vinte anos. O hiato valeu a pena já que o quarteto liderado por Dave Malkinson entrega dez faixas que cruzam influências de Brian Eno, David Bowie da era de Berlim e o funk febril dos The Stooges, como se ouve no eletrizante “Get Up Get Out”.
Beck Zegans, Engraving of Armor (Exploding In Sounds Records)
Após anos a tocar guitarra nos Palehound e a editar como Goo, Beck Zegans estreia-se agora em nome próprio com Engraving of Armor, um álbum que respira a confiança de quem esperou pelo momento certo. Nascido na altura da pandemia, o disco move-se por caminhos mais duros e confrontacionais. A transição fluida entre o noise rock e o folk mais onírico oferece uma coesão invulgar em temas que abordam mecanismos de autoproteção e fuga aos sentimentos.
Lowertown, Ugly Duckling Union (Summer Shade)
O duo de Atlanta Lowertown regressa às origens DIY (do it yourself) com Ugly Duckling Union, um álbum conceptual que se afasta das pressões da indústria para explanar o seu indie rock melancólico. Navegando entre o grunge confessional de “Mice Protection” e desvios acústicos como o dedilhado mitológico de “Cover You”, o disco transborda uma liberdade criativa contagiante.
Thee Marloes, Di Hotel Malibu (Big Crown Records)
Diretamente de Surabaya, na Indonésia, os Thee Marloes voltam com Di Hotel Malibu, um longa-duração editado pela conceituada Big Crown Records que os consolida como uma das referências mundiais da soul contemporânea. Dois anos após a estreia com Perak, o trio apresenta um registo visivelmente mais polido, seguro e confortável na sua própria pele.
Little Barrie, Gravity Freeze (Easy Eye Sound)
Gravity Freeza é o novo disco dos Little Barrie, um álbum moldado pelas provações e pelo processamento emocional dos últimos anos. Liderado pelo guitarrista Barrie Cadogan, o trio britânico traduz episódios de paralisia do sono e desorientação psicológica ao injetar uma tensão claustrofóbica no seu habitual registo sónico.
* fotografia de Alela Diane de Camille Bruya











