10 álbuns: As escolhas de Stereossauro

Francisco Pereira

Stereossauro — o nome artístico de Tiago Norte — é hoje uma das figuras mais inventivas e transversais da música portuguesa contemporânea. Escolheu 10 dos seus discos essenciais, todos nacionais.

Nascido e criado nas Caldas da Rainha, destacou-se inicialmente no universo do DJing competitivo, onde foi quatro vezes campeão mundial em batalhas de disc jockey ao lado de DJ Ride, como membro dos Beatbombers, e continuou a afirmar-se como referência técnica e criativa nessa esfera. Com uma formação em Design e Artes Plásticas e uma carreira que cruza electrónica, hip-hop e tradições portuguesas, Stereossauro tem vindo a construir um percurso singular, caracterizado pela capacidade de fundir géneros aparentemente distantes com uma sensibilidade própria.

Ao longo dos anos, o seu trabalho como produtor e autor tem procurado criar pontes entre a música eletrónica contemporânea e a herança da música portuguesa, nomeadamente o Fado e a guitarra portuguesa. Essa aposta culminou em projectos marcantes como Bairro da Ponte (2019), que reuniu vozes e influências do fado, hip-hop e urban music, e abriu caminho para uma leitura moderna e aberta da tradição. Mas foi com o projecto Tristana, iniciado em 2023 com a colaboração da fadista Ana Magalhães, que Stereossauro consolidou uma narrativa artística própria — um universo onde a palavra, a emoção e a eletrónica se encontram com profundidade e originalidade.

Em 30 de Janeiro de 2026, Stereossauro editou Tristana II, o novo capítulo dessa viagem criativa e que foi produzido, composto, gravado e escrito integralmente por ele nas Caldas da Rainha. O álbum expande a personagem Tristana para territórios mais luminosos e dançáveis, cruzando sonoridades como house, techno e drum’n’bass com a voz intensa de Ana Magalhães e mantendo a palavra e a emoção no centro de tudo. 

Stereossauro escolheu 10 dos seus álbuns preferidos, todos nacionais, que mostram as suas influências e celebrações.

* fotografia de Mike Ghost

1. New Max

Phalasolo (2009)

Um dos meus discos favoritos de toda a música portuguesa, cheio de groove, execução perfeita do New Max.

2. Carlos Paredes

Uma Guitarra Com Gente Dentro (2002)

Todas as músicas são incríveis, e depois há o  incontornável “Verdes Anos”, inspiração máxima para mim. Portugal in a nutshell.

3. Mind Da Gap

Sem Cerimónias (1997)

Mais um dos meus discos portugueses preferidos. Dope beats, grandes flows, storytelling, os Mind da Gap mostraram-me que rap em português funcionava e podia ser altamente.

4. Fausto

Por Este Rio Acima (1982)

Outra das minhas grandes inspirações. Folk mas ao mesmo tempo urbano, intervenção e realidade. Sonhos e poesia. Letras incriveis.

5. Da Weasel

3º Capítulo (1997)

Um disco incrível dos Da Weasel. Mais uma vez, flow e storytelling, são talvez as características que mais aprecio no rap.

6. A Naifa

As Canções d'A Naifa (2013)

Mais uma grande influência, os Naifa juntam a guitarra portuguesa tradicional com rock contemporâneo de forma exemplar, e sou mega fã da voz e atitude da Mitó.

7. DJ Ride

ENRO (2021)

DJ Ride, amigo de longa data, família, e mega influência. Ainda estou a descodificar como ele fez algumas das músicas deste seu último disco, dos drums aos synths, ao sound design.

8. Ornatos Violeta

O Monstro Precisa de Amigos (1999)

Poesia sublime, entrega total, rock a rasgar, os Ornatos Violeta dão-me arrepios sempre que os oiço.

9. Amália Rodrigues

Com Que Voz (1970)

Emoção pura em forma de música, Amália Rodrigues será sempre a maior cantora portuguesa de todos os tempos.

10. Razat

Saturation (2018)

Bass music supreme, um alquimista, mestre do “com pouco fazer muito”, um músico portugues que perdemos quando estava numa ascensão incrível, na vertigem de um breakout mundial, muitas vezes penso “que musica estaria o Razat a fazer se fosse vivo?” e a resposta é BASS BANGERS.

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