A 23.ª edição do IndieLisboa decorre de 30 de Abril a 10 de Maio de 2026 e apresenta uma programação robusta, com 241 filmes entre curtas e longas-metragens, reafirmando o seu papel como um dos principais espaços do cinema independente. Marcada pela diversidade estética e geográfica, esta edição atravessa temas como a intimidade, os laços familiares e os conflitos pessoais, distribuídos por várias secções que cruzam diferentes linguagens e abordagens cinematográficas.
Entre competições e programas paralelos, o festival reúne tanto nomes consagrados como novas vozes, mantendo o foco no cinema de autor e na descoberta. É neste contexto que a música ganha também um lugar próprio dentro da programação, com propostas que exploram a sua relação com o cinema, abrindo caminho para a secção IndieMusic, onde o som se torna elemento central da narrativa.
“The Loneliest Man in Town”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, é o filme escolhido para a Sessão de Abertura do IndieLisboa 2026, que terá lugar no Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira), no dia 30 de Abril, às 19h. É o regresso da dupla italo-austríaca ao festival depois de, em 2010, ter sido distinguida com o Prémio de Distribuição com La Pivellina.
Para a Sessão de Encerramento, o festival apresenta “The History of Concrete”, a primeira longa-metragem do realizador norte-americano John Wilson, conhecido pela série cómica “How To with John Wilson”. Aqui, estreia-se nas longas com uma premissa ousada: depois de frequentar um workshop do Hallmark sobre como escrever e vender uma comédia romântica televisiva, nada como tentar replicar a estratégia num documentário sobre betão. “The History of Concrete” será exibido na Culturgest (Auditório Emílio Rui Vilar), no dia 10 de maio, às 21h30. A programação completa pode ser consultada, aqui.
INDIEMUSIC, a programação da secção musical
A secção IndieMusic do IndieLisboa regressa em 2026 com um programa que transforma o cinema numa experiência sonora global, cruzando géneros, épocas e geografias através de retratos únicos da música e dos seus protagonistas.
A viagem do IndieMusic pode começar nos Estados Unidos, onde o jazz cósmico de Sun Ra encontra a folk de Bob Dylan e Neil Young, ao lado do punk, noise, rock e caos dos Butthole Surfers. Dali seguimos até Cuba para ouvir a nueva trova de Pablo Milanés. Passamos pelo Brasil para descobrir Jocy de Oliveira, pioneira da música eletrónica, e reafirmar a força do funk brasileiro. Fazemos uma paragem no Mali ao som de Amadou & Mariam. Sobrevoamos o Caribe e o estilo bubbling antes de aterrar em Lisboa para o prazer de ouvir Vítor Rua, saber quem tem medo de Zurita de Oliveira e terminar a noite numa garagem de Viseu nos anos 80 e 90.
Entre os destaques está “Sun Ra: Do the Impossible”, de Christine Turner, que mergulha no universo visionário de Sun Ra, figura incontornável do jazz cósmico. Ainda nos Estados Unidos, “Butthole Surfers: The Hole Truth and Nothing Butt ” revisita o caos criativo da banda Butthole Surfers, enquanto “Newport and the Great Folk Dream“, de Robert Gordon, recupera o espírito da folk que marcou gerações, com ecos de nomes como Bob Dylan.
A viagem estende-se a outras latitudes com “Para Vivir – El implacable tiempo de Pablo Milanés “, centrado na vida e obra de Pablo Milanés, uma das vozes maiores da nueva trova cubana. De África chega “The Blind Couple From Mali”, de Ryan Marley, que acompanha o percurso da dupla Amadou & Mariam.
O programa abre ainda espaço para propostas mais experimentais e exploratórias. vUniverso Circular – Jocy de Oliveirav presta homenagem à compositora Jocy de Oliveira, pioneira da música eletrónica no Brasil, enquanto “Bubbling Baby “, de Sharine Rijsenburg, mergulha na cultura bubbling do Caribe. Já “Vintage Glitch. Cidades para acabar com todos os verões e crepúsculos ” e “WAB 6 11 23 30 33 51 52 “exploram linguagens visuais e sonoras mais abstractas, ampliando o espectro da secção.
Em território nacional, o IndieMusic destaca “Rua (Isto não é um filme, é um cometa) “, centrado em Vítor Rua, e “Quem Tem Medo de Zurita de Oliveira? “, que lança um olhar provocador sobre a criação artística. O percurso termina com ““Percursos Alternativos” – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90 “, um mergulho na memória subterrânea do rock português.
Com acesso a audiodescrição em português para todos os filmes, a secção IndieMusic reforça a sua dimensão inclusiva, propondo uma experiência onde a música se vê, se ouve e se sente, através de olhares cinematográficos que desafiam convenções e celebram a diversidade sonora.
Os bilhetes já estão à venda e podem ser adquiridos, aqui.










