Já Não Posso Ficar Aqui, o quarto disco de originais da banda lisboeta, chega agora às plataformas de streaming e será apresentado ao vivo na República da Música, em Alvalade (Lisboa), no dia 23 de maio. Os bilhetes já estão à venda na Ticketline e locais habituais.
Já Não Posso Ficar Aqui confronta-nos com uma simples questão “o que fazer com a passagem do tempo?” A nostalgia, muito na moda, é uma estratégia possível. Entrar em negação também parece ser uma opção popular. Ou a amargura, tantas vezes mascarada como mero desencanto. Entretanto o tempo passa, sobre nós e sobre os sítios onde estivemos, indiferente aos nossos estados de alma.
Tempo, que me rouba a alegria.
Nascidos em Lisboa, os Trêsporcento têm vivido a transformação da cidade como tantos outros lisboetas da sua geração, que chega agora a uma idade onde o confronto com o passado se torna uma coisa real. Não pelas melhores razões. Seremos, talvez, também culpados? Ou são apenas os outros – o outro – os responsáveis pelo desaparecimento de uma realidade que julgávamos ser a nossa e a qual tomávamos por garantida?
As janelas das velhas fecharam, até elas estão a mais.
Em 10 novas canções, Já Não Posso Ficar Aqui tenta dar resposta a essa inquietação. Não evita a amargura, cede por vezes à negação, e refugia-se, em momentos de fraqueza, na nostalgia. Só quero o que os outros têm, não é inveja, é direito. No entanto, sobre tudo isto paira uma voz que quer, ainda, transformar o seu futuro e o futuro daqueles e daquilo que nos rodeia. Apontamos o dedo, temos esse direito, com fúria, contra a resignação.
Quem comove o tempo, para combater, ter nas mãos o raio, que destrói o poder?
E como é que isto se faz? Os Trêsporcento ensaiam o seu método preferido: juntos numa sala com guitarras a fazer barulho. Sem truques, sem rede, expostos ao erro, à fragilidade, sem nostalgia, sem amargura – a olhar para a frente.
Bebe comigo, brinda àquilo que eras, é uma nova vida que te espera.
Já Não Posso Ficar Aqui é o quarto álbum de originais dos Trêsporcento, que se segue a “Território Desconhecido” (2017), “Quadro” (2012), e “Hora Extraordinária” (2011). A banda tem ainda no currículo o disco ao vivo “Lotação 136” (2014) e um EP homónimo (2009).
Gravado entre Dezembro de 2023 e Dezembro de 2025, o disco foi produzido por JP Mendes, misturado por Eduardo Vinhas, e masterizado por Diego Salema Reis.
As gravações decorreram no Namouche (com Diego Salema Reis), com sessões adicionais no louva-a-Deus (com Tiago Correia).
A capa é um trabalho gráfico de JP Mendes sobre uma obra de António Botelho. A pintura da capa de Botelho chama-se “O Lisboeta”. É de 1994 e fez parte de uma exposição com o mesmo nome, feita na galeria de São Mamede, em Lisboa.











