The Sixties: Years of Hope, Days of Rage

Francisco Pereira

Todd Gitlin

Edição: Julho 1993

Em The Sixties: Years of Hope, Days of Rage, Todd Gitlin propõe uma leitura densa e crítica de uma década tantas vezes reduzida a slogans, ícones e mitologias simplificadas. Sociólogo, activista e antigo líder dos Students for a Democratic Society (SDS), Gitlin escreve a partir de uma posição simultaneamente analítica e vivida, acompanhando os anos 60 americanos como um campo de forças onde idealismo, conflito político e violência caminham lado a lado. O livro recusa a visão romântica da época, sem abdicar de reconhecer a sua potência transformadora.

Gitlin analisa os grandes movimentos que marcaram a década — os direitos civis, a oposição à guerra do Vietname, o feminismo, a contra-cultura — e a forma como estes se cruzaram com os media, a política institucional e a radicalização progressiva da militância. Particularmente incisiva é a reflexão sobre o papel da imprensa e da televisão, que tanto amplificaram as lutas como contribuíram para a sua fragmentação e desgaste. Para Gitlin, os anos 60 foram um espaço de esperança real, mas também de erros estratégicos, ilusões e confrontos internos que ajudaram a definir o seu fim abrupto.

Mais do que uma crónica histórica, The Sixties: Years of Hope, Days of Rage funciona como um exercício de memória crítica. Gitlin escreve contra a nostalgia fácil, insistindo na complexidade moral e política da década e nas suas consequências duradouras. O livro permanece atual precisamente por recusar respostas simples, lembrando que os anos 60 não foram apenas um momento de libertação cultural, mas um laboratório intenso, por vezes trágico, de mudança social.

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