Arlo Parks, Ambiguous Desire (Transgressive Records)
No seu novo disco, Ambiguous Desire, Arlo Parks troca o indie introspectivo pelos ritmos das pistas de dança de Londres e Nova Iorque. Sob a produção de Baird, as guitarras dão lugar a sintetizadores modulares, UK garage e breakbeats densos. O álbum captura a crueza das noites urbanas e explora o desejo queer e a saúde mental com um detalhismo quase cinematográfico. Um disco fortíssimo.
Thundercat, Distracted (Brainfeeder Records)
Thundercat apresenta Distracted, um trabalho que abraça a sobriedade e a produção de Greg Kurstin e cria o seu disco mais focado e também “pop”, sem contudo perder o virtuosismo no baixo. Seis anos após o luto por Mac Miller — que surge aqui numa gravação inédita e emocionante —, o músico reflete sobre TDAH, disfunção diária e relações falhadas. Mais um grande disco.
Angine de Poitrine, Vol. II (Spectacles Bonzaï)
O duo do momento, Angine de Poitrine, consolida o seu math-rock microtonal e contagiante no seu novo disco, simplesmente intitulado Vol.II.. Khan e Klek afastam-se do ruído das redes sociais para entregar um disco instrumental onde o foco é o prazer rítmico e o inesperado. Entre riffs que evocam King Gizzard e musculatura que lembram Queens of the Stone Age, o álbum é uma celebração do bizarro e do movimento.
Joe Pernice, Sunny, I Was Wrong (New West)
Joe Pernice (dos The Pernice Brothers) apresenta o seu quarto álbum a solo, Sunny, I Was Wrong, um registo gravado ao vivo em estúdio que privilegia a economia narrativa e o calor das colaborações. Com participações de luxo como Aimee Mann e Rodney Crowell, o disco oscila entre a soul característica de Memphis e a folk confessional.
Sunn O))), Sunn O))) (Sub Pop)
No seu décimo álbum homónimo, os Sunn O))) regressam às origens com uma estreia na Sub Pop que abdica de colaborações externas para focar na pureza do drone. Stephen O’Malley e Greg Anderson moldam paredes de distorção e feedback que, ao longo de composições extensas como “XXANN”, transformam o peso metálico em meditação profunda.
Robber Robber, Two Wheels Move The Soul (Fire Talk)
Os Robber Robber canalizam a ansiedade da precariedade habitacional num registo de noise rock tenso e visceral no seu novo Two Wheels Move The Soul. O disco foi gravado enquanto a vocalista Nina Cates e o baterista Zack James saltavam entre sofás. O álbum destaca-se pela percussão metálica e também pelas guitarras ruidosas que evocam uma constante sensação de desalojamento.
Spaceport, Cut The Lake (Aura Vortex Records)
Em Cut The Lake, os nova-iorquinos Spaceport estreiam-se com um registo que funde o jazz contemporâneo com o dinamismo do punk e do rock de garagem. O trabalho foi gravado ao vivo e capta a energia crua do quarteto, com saxofones e ritmos frenéticos.
A Place To Bury Strangers, Rare and Deadly (Dedstrange)
Os nova-iorquinos A Place To Bury Strangers escavam uma década de arquivos (2015-2025) para revelar o seu lado mais cru e instável no disco Rare and Deadly. Composto por demos, lados B e experiências abandonadas de Oliver Ackermann, o disco funciona como uma história paralela de caos sónico.











