15 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #14/2026 – Nesta segunda semana de abril encontramos 15 lançamentos de destaque que vão desde o regresso dos WU LYF, a Snoop Dogg e Holy Nothing.

WU LYF, A Wave That Will Never Break (LYF Recordings)

Quinze anos após a estreia, os WU LYF regressam com A Wave That Will Never Break, um álbum que preserva a carga emocional do grupo enquanto expande novos horizontes. Entre o dedilhado matemático de “Love Your Fate” e a densidade gótica de 11 minutos em “Tib St. Tabernacle”, a banda de Manchester funde o indie rock com paisagens de post-rock e dream pop. Estão a caminho de Paredes de Coura.


Lime Garden, Maybe Not Tonight (So Young)

Em Maybe Not Tonight, as Lime Garden confirmam-se como uma das vozes mais interessantes do indie britânico contemporâneo. No seu segundo álbum, o quarteto de Brighton aprimora a química de uma amizade de longa data. É um disco polido e dinâmico que equilibra o existencialismo moderno e que chega 2 anos depois da estreia em One More Thing.


Snoop Dogg, 10 Til’ Midnight (Death Row records)

Snoop Dogg celebra o seu legado com a descontração de quem já não tem nada a provar. Agora como proprietário da Death Row Records, o rapper apresenta 10 Til’ Midnight, e alterna entre o conselho e o deboche sobre imitadores. O álbum é um documento de longevidade e diversão de um ícone que domina o seu próprio tempo.


Gretel, Squish (AWAL)

Gretel é a nova sensação do indie rock. Hoje edita o seu álbum de estreia, Squish, um álbum poderoso que abraça as suas referências. O disco é um campo de batalha entre a devoção clássica e o pragmatismo das relações modernas, evocando a crueza de PJ Harvey e a melancolia mítica de Stevie Nicks. Gretel afirma-se como uma compositora exímia, ao transformar as suas influências numa linguagem própria carregada de nuances líricas.


gobbinjr, crystal rabbit moon (Substitute Scene)

Em crystal rabbit moon, gobbinjr (o projeto da artista Emma Witmer) apresenta o seu primeiro longa-duração em seis anos. O álbum mantém a sua estética lo-fi característica, e eleva a produção para um plano mais denso e hipnótico, criando um universo sonoro que é, simultaneamente, infantilmente lúdico e profundamente melancólico. Um álbum seguro.


My New Band Believe, My New Band Believe (Rough Trade Records)

My New Band Believe é o álbum homónimo de estreia a solo de Cameron Picton (ex-Black Midi). É um trabalho que se afasta do caos pós-punk para abraçar um chamber-punk barroco e labiríntico. O disco é um emaranhado de melodias acústicas, arranjos orquestrais e narrativas densas que evocam nomes como Jim O’Rourke e Destroyer.


Treeboy & Arc, Goose (Rough Trade)

Treeboy & Arc impõe a sua presença no pós-punk britânico com um Goose, um registo que se foca em ritmos imponentes e boas guitarradas que sustentam letras sobre a monotonia e as ansiedades do quotidiano. Entre a agressividade contida e momentos de expansão melódica, a banda entrega uma obra coesa que captura a essência crua das suas atuações ao vivo.


Wendy Eisenberg, Wendy Eisenberg (Joyful Noise)

No seu novo álbum homónimo, Wendy Eisenberg canaliza o seu virtuosismo na guitarra para desconstruir o conceito de canção de amor com curiosidade forense. A artista explora a felicidade e a memória através de métricas instáveis e influências que remetem para Richard Dawson ou Joanna Newsom.


Melanie Baker, Somebody Help Me, I’m Being Spontaneous! (Tambourhinoceros)

Em Somebody Help Me, I’m Being Spontaneous!, a cantautora de Newcastle Melanie Baker troca o tom confessional e melancólico por um indie rock vibrante e imponente. Inspirado no humor de The Truman Show, o álbum funde guitarras sujas ao estilo Courtney Barnett com a energia direta dos anos 90. Baker transforma o desgosto amoroso numa celebração teatral. Ótimo disco.


Holly Humberstone, Cruel World (Polydor Records)

Holly Humberstone apresenta o seu segundo álbum, Cruel World, e explora o movimento pendular de se apaixonar com uma leveza inesperada. Humberstone refina a sua sonoridade sem perder a veia confessional ao equilibrar momentos de euforia pop com baladas sobre apego evitativo. A cantautora pinta um retrato atualizado, honesto e por vezes atrevido do romance no mundo moderno.


The Melvins with Napalm Death, Savage Imperial Death March (Ipecac Recordings)

Savage Imperial Death March é a materialização de uma colaboração improvável entre os Melvins, lendas do sludge, e os Napalm Death, pioneiros do grindcore. Longe de ser um disco dividido, o álbum é uma parceria equilibrada onde as bandas se encontram num meio-termo pesado e experimental. O projeto evita egos para criar antes uma harmonia destrutiva.


Holy Nothing, Fascínio e Miragem

Fascínio e Miragem, é o novo álbum colaborativo dos Holy Nothing inspirado na “conversação infinita” entre Portugal e Brasil, conceito desenvolvido pelo ensaísta Eduardo Lourenço. O disco conta com a participação de vários artistas brasileiros, entre eles Russo Passapusso e Roberto Barreto (BaianaSystem), Bixiga 70 e Luca Argel, e explora musicalmente as relações de aproximação e afastamento, memória e esquecimento, reconhecimento e estranhamento mútuo entre os dois países


Iguana Death Cult, Guns Out (Greenway Records)

Os holandeses Iguana Death Cult trocam a ironia pela introspeção com a mesma eletricidade maníaca que os caracteriza. O quarto álbum marca um regresso ao cerne do garage rock, no entanto com uma maturidade renovada que interroga o próprio caos.


Joe Jackson, Hope And Fury (earMusic)

Joe Jackson regressa com o seu 22.º álbum de estúdio, Hope and Fury, onde abdica dos disfarces conceptuais para regressar a um caminho mais direto e sofisticado. O músico britânico recupera a elegância de Night and Day em temas como “I’m Not Sorry” e embora a ambição narrativa surja em momentos como “End of the Pier”, o disco brilha ao reconciliar a sinceridade lírica com a mestria instrumental.


Joseph Arthur, You’re Not A Ghost Anymore: FAITH (Lonely Astronaut Records)

Joseph Arthur regressa após sete anos com o primeiro capítulo de uma ambiciosa trilogia sobre colapso e recuperação, neste You’re Not A Ghost Anymore: FAITH. Fugindo aos clichés da música religiosa, Arthur vem explorar a sua espiritualidade com uma honestidade brutal. Entre momentos de prog rock e o otimismo de “Count It All Joy”, o disco funciona como uma paisagem sonora catártica que documenta a saída da escuridão.


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