Oito anos é uma eternidade no mundo do rock alternativo, mas para os Basement, o tempo parece ter servido como um ingrediente secreto para uma reinvenção ambiciosa. Após um hiato de novos lançamentos desde Beside Myself (2018), o quinteto de Ipswich regressou com Wired, um álbum que marca não só o regresso à sua editora original, a Run For Cover Records, mas também marca uma reconciliação magistral entre o passado de culto e uma nova relevância viral.
Wired abre com a força de “Time Waster”, um tema que nos diz logo, sem rodeios, ao que viemos. É um disco barulhento, imprevisível e carregado de um fuzz (distorção) denso que remete imediatamente para a era dourada de álbuns como Bleed American dos Jimmy Eat World. Se por um lado a banda mantém os seus ataques icónicos de guitarra e influências de shoegaze que definiram clássicos como “Covet”, há aqui uma maturidade emocional nova. Andrew Fisher regista uma voz mais crua e experiente, enquanto a banda se permite explorar sonoridades que vão do grunge à la Nirvana em “Deadweight” até ao excitante indie-rock de “Pick Up The Pieces”, uma canção que tão fresca que quase nem parece vir dos mesmos Basement de 2011.
Esta nova fase de liberdade criativa é fruto de um percurso individual e rico dos seus membros (que passa desde o trabalho visual de Alex Henery com os Turnstile ao sucesso do supergrupo Fiddlehead). Ao voltarem ao ambiente independente, os Basement libertaram-se das pressões das grandes editoras para criar um disco de contradições controladas. A faixa-título, “Wired”, é um hino de resiliência pronto para os palcos principais de festivais, enquanto que “Broken By Design”, no espectro oposto, oferece um refúgio de ternura e melancolia, como que a provar a diversidade sónica que o grupo agora domina com confiança.
O álbum encerra com “Summer’s End”, um ponto final rústico que parece encapsular tudo o que os Basement são hoje e Wired não é apenas uma repetição de fórmulas antigas. O disco é um registo focado que alterna entre picos de euforia e momentos de introspeção delicada.











