Postcards, banda de shoegaze de Beirute, remarca a sua digressão portuguesa para setembro, após cancelarem datas em março deste ano com o início da guerra do EUA com o Irão e, por consequência, da intensificação dos ataques de Israel ao Líbano.
Desde o passado dia 28 de fevereiro que muitos dos espaços aéreos do mundo árabe estão em constante adaptação à situação de guerra instalada na região, fazendo com que não fosse possível em março a saída dos Postcards do Líbano. Na atual situação a banda já consegue fazer deslocações e remarca então as 4 datas anteriormente anunciadas.
A digressão que traz a Portugal o mais recente disco da banda RIPE passa então por cidades como – por ordem cronológica – Porto (Lovers & Lollipops) a 24 de setembro, Setúbal (Casa da Cultura) a 25, Torres Vedras (Bang Venue) no dia 26 e Lisboa (Casa Capitão) a 27 de setembro.
RIPE é o mais recente disco do grupo e aquele que motiva esta nova digressão que finalmente passa por Portugal. Trata-se de um álbum de 10 temas e mais de 40 minutos em que o dream-pop habitual da banda se transforma em algo mais cru, sombrio e gutural – uma resposta adequada à turbulência que a sua região atravessa há anos.
À medida que o mundo à sua volta desmorona, os Postcards transformam a sua raiva em algo transcendental. Com o quinto álbum de estúdio, RIPE, o trio libanês pega em tudo o que construiu ao longo da última década e leva-o para novas e inesperadas direções.
As novas canções ganham um tom mais politizado no contexto da terra natal da banda. Com o que a Comissão de Inquérito da ONU define como genocídio em curso em Gaza por parte de Israel e os ataques ao sul do Líbano — que se espalharam para Beirute —, os Postcards canalizam a insegurança sempre presente para a sua música e letras. À medida que a ameaça se aproxima cada vez mais, RIPE questiona a vida no Líbano e o que significa permanecer lá.
Contudo, a banda recusa-se a ser consumida pela escuridão. RIPE pode ser um álbum nascido da raiva, da dor e da incerteza, mas é também um álbum de resiliência. É Postcards no seu lado mais brutal, mas mais vulnerável. Tornaram-se mais sombrios, mas, ao fazê-lo, encontraram uma nova clareza. O título do álbum evoca esse crescimento e maturidade.
No meio do desespero da primeira faixa, há um vislumbre de esperança: «Hold on to you / I think I’m onto something». De facto, a banda está no caminho certo. No meio ao barulho, no meio da raiva, eles criaram algo ferozmente belo.
Os bilhetes para Lisboa e Porto já estão disponíveis. Os restantes concertos são de acesso livre mediante a lotação dos respetivos espaços.











